4 de dez de 2010

Verdade (A Podridão em Laranja: Parte 1)

O começo deveria ter me revelado a verdade, mas cego dos olhos deixei me levar pelo toque de sua pele branca. Nunca havia tocado pele branca assim, deixei-me levar, sabendo que o que começa de forma errada, termina de forma dolorida. Jurei me esforçar, prometi mundos e fundos e me cobrei, cobrei minha fidelidade, cobrei meu amor, cobrei-me até por coisas que eu nunca deveria ter me cobrado. Lutar por um amor é como pedir a morte aos poucos. Sempre houve o que amou mais, se dedicou mais, sempre houve o que levou por levar, para que a solidão não se alastrasse em seus dias, para o prazer não fazer falta.
Eu estive ali, de braços abertos e futuro no fundo dos olhos, esperando o tempo fazer seu serviço e esperando meu tempo de ser feliz. Eu estava ali para afastar o escuro e mostrar a janela aberta. Ofereci-lhe o samba em pratos de amor. Ofereci-lhe o amor em pratos fundos, seu amor me foi servido em sobras, sua dedicação praticamente morta. Eu estava ali tentando acabar com minha carência e esperando destruir a sua, mas seu amor preferiu dedicar-se a braços sujos e abraços de uma noite, beijos sem amor e palavras mentirosas. Ainda hoje você ri da minha cara, enquanto eu choro por trás dessa máscara de força, ainda hoje dizem haver esperanças, ainda hoje meu peito grita ódio e meus olhos largam dor.
Ainda hoje você mentiu me amar, ainda hoje você estava na cama de outra pessoa.