4 de dez de 2010

Verdade (A Podridão em Laranja: Parte 1)

O começo deveria ter me revelado a verdade, mas cego dos olhos deixei me levar pelo toque de sua pele branca. Nunca havia tocado pele branca assim, deixei-me levar, sabendo que o que começa de forma errada, termina de forma dolorida. Jurei me esforçar, prometi mundos e fundos e me cobrei, cobrei minha fidelidade, cobrei meu amor, cobrei-me até por coisas que eu nunca deveria ter me cobrado. Lutar por um amor é como pedir a morte aos poucos. Sempre houve o que amou mais, se dedicou mais, sempre houve o que levou por levar, para que a solidão não se alastrasse em seus dias, para o prazer não fazer falta.
Eu estive ali, de braços abertos e futuro no fundo dos olhos, esperando o tempo fazer seu serviço e esperando meu tempo de ser feliz. Eu estava ali para afastar o escuro e mostrar a janela aberta. Ofereci-lhe o samba em pratos de amor. Ofereci-lhe o amor em pratos fundos, seu amor me foi servido em sobras, sua dedicação praticamente morta. Eu estava ali tentando acabar com minha carência e esperando destruir a sua, mas seu amor preferiu dedicar-se a braços sujos e abraços de uma noite, beijos sem amor e palavras mentirosas. Ainda hoje você ri da minha cara, enquanto eu choro por trás dessa máscara de força, ainda hoje dizem haver esperanças, ainda hoje meu peito grita ódio e meus olhos largam dor.
Ainda hoje você mentiu me amar, ainda hoje você estava na cama de outra pessoa.

21 de nov de 2010

tirei Meu Nome do Mundo


Servo
Alexandre Ferreira

Tirei meu nome do mundo
Joguei-o num precipicio profundo.
Não quero que leiam minha biografia,
Que relembrem uma fotografia.

Quero o abismo materno,
De abraço eterno
E escuridão total.
Quero o mal
E de tudo o que nele reside
Quero o Final.

Agora que se foi,
Meu nome já não tenho.
Sou eu e não menos,
O Final e não menos.

Suspiro Final


Ficar sem escrever por muito tempo acumula questões sem resposta nas costas daquele que escreve. Tentei tantos textos e por fim desisti, abandonei-os no lixo e tranquei ali obras que poderiam ter mais de uma vida. Mas nada do meu mundo literário está destinado a viver, dessa minha época de olhos fechados para escritores presentes guarda-se apenas aqueles livros que se transformaram em filmes. O mundo do cinema ainda hoje valoriza suas obras, a literatura parou no inicio do século passado e não tem vontade de olhar para o atual e esquecer o velho. O antigo é eterno na literatura e o novo já perdeu-se no tempo.
As vezes me pergunto meu motivo para escrever, tento achar uma resposta verdadeira que não inclua apenas eu, mas eu e o futuro do mundo. Mas a verdade que me pinta no papel é uma individual e egoista, escrevo pra mim e não para o mundo. O mundo teve Fernando Pessoa, Carlos Drummond, Luís de Camões, Soror Juana Inés de la Cruz, o mundo não precisa da minha escrita, mas eu preciso desse meu desabafo. Com tinta dei vida a tantos textos e com riscos matei tantas escritas. Minha literatura mata minha literatura. O mundo é assim hoje e no futuro continuarão apenas olhando pra trás.

16 de out de 2010

Doce Lar Subterrâneo


A rua oferece tudo aquilo que as pessoas procuram, a liberdade. Claro, essa não é a única coisa oferecida por ela, mas é a principal. Quando decidi sair de casa tinha 16 anos, as brigas constantes com meu pai e o alcoolismo de minha mãe me levaram a tomar essa decisão. De começo foi extremamente dificil, me faltava a cama com cobertores quentes, me faltaram também aquelas quatro paredes que ouviam meus desabafos. Na rua o único amigo que existe é a calçada que aguenta seu peso durante o tempo que você tenta sonhar. Deixei para trás uma namorada, pois quando julgava que ela me entenderia, ela me julgou apenas um insensato, acho que hoje eu entendo plenamente que talvez tenha sido insensatez de minha parte deixar as surras constantes e o fedor terrivel de alcool, insensato trocar isso pela rua. Talvez em minha casa eles tenham evoluido, mas aqui na rua, não há uma escada que te faça subir, há apenas buracos, aqueles que certamente você vai cair.
O primeiro buraco chama-se Esquecimento: Assim que sai de casa, tive a esperança de que meus pais me caçariam de uma forma tão alucinada que isso chamaria a atenção da midia, eu seria achado rapidamente, desabafaria toda a dor que eles me causaram, eles me entenderiam e a vida de volta pra casa seria perfeita. Não sei se me procuraram, acredito que sim, mas desistiram de mim e o esquecimento foi o primeiro buraco no qual cai, ele me causou dor, seguido de lágrimas, raiva, decepção. Então me apareceu o segundo buraco e finalmente eu entendi o motivo de chamarem ele de esperança no começo. O primeiro abraço das drogas é doce como o primeiro beijo da mulher amada.
O segundo buraco chama-se Esperança: Ele é mais profundo que o primeiro, mas em seu inicio parece haver uma luz. É nele que se esquece quem nos esqueceu, sorria sem precisar fazer força, guardei o choro e apaguei os sonhos que me cortavam as costas. Este lugar é quente como a nossa casa, tem um abraço mais apertado que o de minha mãe e me dá mais alegrias do que todas as que eu já tive nos outros anos de minha vida. Este é um buraco do qual é praticamente impossivel sair, seus niveis são cada vez mais aconchegantes e o que ele causa depende do quão fundo nele você está. Assim começa, você percebe que por esse segundo lugar vale a pena lutar e morrer, então você percebe outro buraco, e este outro buraco equivale a sentença de prisão perpétua nessas vielas.
O terceiro buraco chama-se Contentamento: Este buraco está intimamente ligado ao segundo, é o segundo quem lhe abre a porta para entrar nesse. E aqui você começa a se sentir melhor que em sua antiga casa, a maior parte daqueles que você conheceu nas ruas está aqui e não pretende deixar de estar. Aqui formam-se as amizades e daqui nascem os novos moradores desse mundo. Sempre que desejamos chegar a este terceiro lugar, precisamos antes passar pelo segundo e é assim que começamos a agradecer por estas ruas, por estes estranhos, por estes restos e por estes vicios. A vida em rua torna-se vida finalmente e já não lamentos ao céus por estarmos nela. Aqui conhecemos e lutamos para continuar onde estamos. A policia, os assistentes sociais, nenhum deles têm o direito de nos tirar do que chamamos lar, aqui construimos nossa história e temos o direito de continuar vivendo nas páginas de nossos livros. Então chega-se em um buraco irreal, acreditamos estar em outro, mas nem deixamos de sair do anterior...
O quarto buraco chama-se Loucura: Aqui, nossos amigos que já morreram retornam para ficar sempre ao nosso lado. Tudo a minha volta me irrita, sinto que estão invandindo o que é meu por direito. EU SUPEREI AS DIFICULDADES IMPOSTAS POR ESSAS PEDRAS! EU DEI MEU SANGUE POR COMIDA! EU FUI SURRADO SEM MOTIVO! EU FUI EXPULSO PARA A CHUVA! Vocês nunca entenderão o que é a loucura, pois ela nasce da sanidade e seres automáticos como vocês não sabem o que é ser são. Assim vai-se chegando o último, aquele que é acompanhado de uma passagem para virar um corpo a ser estudado em faculdades e colégios.
O quinto buraco chama-se Adeus.
Se me perguntarem sobre arrependimento, acho que apenas irei sorrir.

26 de set de 2010

Diário Sem Nome Encontrado no Fim do Mundo (Parte 3)

Ato II

Sentei-me ao chão, era noite e havia me batido uma terrivel saudade de algo que eu nunca mais vou encontrar, foi inevitavel encher meus olhos de água. Chorei por um tempo, peguei uma folha e escrevi uma única palavra, era tão forte e me fazia tão fraco. Ainda restavam 3 balas, uma delas foi aquela tirou a minha vida.

Possíveis Começos para o que Aconteceu

  • Alguns dizem que é o reflexo dos pecados que caiu sobre o mundo.
  • Alguns acreditam que foi a Guerra Geral que finalmente destruiu tudo.
  • Alguns culpam uma doença extremamente contagiosa, que acabou com tudo antes de conseguirem acabar com ela.
  • Outros culpam outréns como sempre é feito pelo mundo.
  • Outros não acreditam em nenhuma dessas alternativas.

Infelizmente nunca haverá concordância sobre como tudo isso teve seu inicio, todos têm uma história pra contar e um motivo para o que ocorreu e quase nunca esses motivos são iguais. Aliás, isso ocorreu há tempo o suficiente para uma explicação não interessar a mais ninguém, só faço esse apontamento de motivos, para deixar como relato histórico caso essa situação consiga ser revertida. Outro ponto a deixar marcado é que os fatos históricos já não são tão importantes, já não há escola para nos lembrar as datas comemorativas, esquecemos os ícones revolucionários e os dias de paz. Os dias agora são de guerra, uma guerra individual, que para nós, parece ser eterna, hoje só nos importa a comida, o abrigo e a sobrevivência.
Sinto muito por não saber explicar o começo, acho até que as pessoas não procuram mais uma explicação (religiosa ou científica), afinal, temos coisas bem mais importantes para nos preocupar.

20 de set de 2010

Cadeira de Rodas


Minha vida continua como que em conta-gotas e nada do que eu faço traz de volta aquela vontade de andar pelas ruas e sorrir para estranhos sóis que continuam se pondo. Os dias passam e percebo apenas quando vários passaram e você mal para ao meu lado, sempre com uma desculpa inventada na hora e não revisada, sempre com um eu te amo que não busca olhos e um abraço que se dá de costas. Meu tédio é sentir que não há remédio para o que o mundo fez de mim, e que você se pensa tão esperta julgando que eu não percebi seus enganos.
Já não sou eu quem lembra você das coisas que ficaram por fazer, é você quem lembra de algo que ficou por comprar, de algum passeio sozinho que não conseguiu completar. E das minhas tardes solitárias escorregam pelo chão panos molhados de dúvidas, que você faz questão de tornar quentes. Aonde levam tuas ruas? De que cor brilham as flores que você vê? Seu destino achou caminho longe do meu? Já pensei em levantar e te seguir, unir as forças poucas e encontrar a verdade com os olhos, fotografar na alma o que o peito já espera. O amor é a crueldade com uma bela maquilagem.
Mais um dia fora, mais uma noite na cama, teus encantos vão ficando aos poucos na porta da frente, cada você que entra é mais feio que o passado. E aquele belo e sorridente passado tornou-se presente com lágrimas e tristezas no corpo. Meu corpo já cansado de estar sozinho busca forças onde não pode encontrar, busca movimentos que não saem do lugar e você nunca está, pra ver a evolução que eu posso alcançar, pra sorrir o sorriso que eu posso te dar, você nunca está. E da minha solidão junto histórias que não posso confirmar, decoro suas contradições que não posso apontar, sinto seu lábio cada vez mais seco e seu desejo cada vez mais distante do meu corpo.
Sigo assim, a vida em conta-gotas por culpa de pernas que desaprenderam a andar.

18 de set de 2010

mais Lembranças Do(A) que Realidade


Musas
Alexandre Ferreira & Kuosan

Nada de você restou em mim,
Até o batom de seus beijos já se foi.
Sumiu o cheiro daquele seu perfume
E o espelho já desaprendeu seu rosto.

Esse quarto não conhece mais seu nome,
Caiu-lhe a sua metade da tinta.
Envelheceram aqueles versos de amor
E hoje já não passam de poesia de amigo.

E mesmo que eu sinta uma pequena saudade
Sozinho sigo , não quero mais nada,
Tudo o que vem dele, um dia se vai...
Pelo menos sei que tive uma amada
E só assim as musas são perfeitas,
Mais lembranças do que realidade.

1 de set de 2010

Diário Sem Nome Encontrado no Fim do Mundo (Parte 2)

Quando o Fim Mostrou-se na Janela

Começou durante uma tarde qualquer, o sol estava lá, as pessoas também. A terra girava como tinha de ser, as guerras explodiam, os animais eram mortos para enfeitar a casa ou roupa de alguém rico, ou simplesmente para a diversão de alguns jovens cruéis. A fome doía, a riqueza transbordava e o sexo ainda ardia. O mundo era mundo, com suas desgraças imundo, aquele bom tempo antigo, que naquele tempo não era bom. Tenho saudade do meu mundo quando olho para a terra que hoje se apresenta a mim.
Tudo começou anunciando o fim, e o fim chegou se mostrando eterno, como se a terra deixasse de girar, como se o sol deixasse de iluminar, as ruas se encheram de pavor, os gritos se encheram de temor e o amor deixou de existir por um momento. O fim é negro e na eternidade nada tem cor.
Antes era belo, hoje não é. Antes era populoso, hoje é fantasma. O gosto era bom, saboreável, hoje a comida pode nem ter gosto que a comeremos. Antes o povo sorria, hoje o pouco que existe lamenta e chora. Antes o homem matava... E isso, isso não mudou. O tempo passa e apaga as boas coisas, as ruins são marcas eternas em nosso corpo, como um filme de terror que nunca termina. Assim foi a mudança do mundo, julgavam-no miserável e triste, hoje ele é ainda pior.
Nesse mundo de agora, o que antes era beco, hoje é avenida, os pesadelos que antes só existiam quando fechávamos os olhos, hoje andam livres por onde nossos pés pisam.
O fim mostrou-se pela janela, engolindo o que era vida, transformando tudo o que existia. Ninguém sabe ao certo, só sabem que começou.

27 de ago de 2010

Olhos fundos de sono mal dormido


Despertador
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

Dorme ao som do relógio,
Eterno companheiro de cama.
Dorme ao som do próprio peito,
Calmaria em tempos de guerra.

Acorda atrasado, afobado,
O recado ao seu lado é um beijo de adeus.
A luz não entra em seu espaço,
Ainda é noite, e a batalha faz o sangue correr cedo.

Ouve os pássaros cantarem ao longe,
Mas esse som é atropelado pelos carros.
Vida desenvolvida que conquistou a natureza.

Luta o dia inteiro contra um inimigo conhecido.
Olha-se no espelho e lá está ele,
Olhos fundos de sono mal dormido.
Preocupação estampada por um beijo que já se foi...

Sai da batalha sujo com seu próprio sangue.
O banho não lhe conforta ou lhe cura.
A vida corrida faz doer as pernas.
Pega o relógio, e seus olhos se fecham...

Os olhos se abrem atrasados.
Hoje...
Não existe mais recado ou beijo de adeus...
Vai para o trabalho, rotina mais importante
Que o fim de sua vida de casado.

26 de ago de 2010

Diário Sem Nome Encontrado no Fim do Mundo (Parte 1)

Ato I

Então eu olhei pro chão, meu destino era sete palmos abaixo dele, certifiquei-me de que tudo estava correto, aquela palavra gravada na parede representava tanto e tão pouco... Verifiquei a corda e pulei... Fim.

O Pouco Eu que Resta

Nesse mundo não é necessário ter nome ou idade, isso já não importa nem a mim mesmo. Não fui alguém importante, muito menos sou agora. Aqui não vale posição social ou poder aquisitivo, o mundo de antes tinha como pessoas invejadas aqueles cheios de dinheiro e que conquistaram seus sonhos...

(Um pequeno parênteses)

(Lembro-me da hipocrisia com a qual era brindado todos os dias, com a mentira de que alguém pobre poderia alcançar a riqueza com o estudo e com o trabalho, me lembro dos dias mais antigos, onde as mensagens na TV eram sobre não deixar a esperança morrer. Me recordo também de uma frase que virou clichê de tão falada: "Quem acredita sempre alcança". E o quê alcançamos? Essa é a recompensa por acreditar sempre?

O Pouco Eu que Resta (Retomada)

... Nesse Miserável Mundo Novo os invejados são aqueles que mantêm a família perto, aqueles capazes de se protegerem e de protegerem quem amam. Nesse mundo que fez de todos solitários, os invejados são os amados, os abençoados com a força e a família. Também há aqueles exemplos a serem seguidos, esses são os mais selvagens, assassinos sem igual, aqueles que fazem de tudo para aproveitar a vida que lhes resta. Um mundo que valoriza a família e aqueles guerreiros solitariamente sanguinários. Mundo Contradição, Miserável Mundo Novo...
Já não tenho sentimentos, não me arrependo de te-los enterrados juntos de minha família. Pra mim já não há tempo para amor, não há tempo pra arte.
Deus condenou o mundo arrancando de quase todos os homens o único sentimento que lhes dava forças pra continuar, o amor foi destruído por deus e antes disso tudo, eu só sabia amar, amava tudo o que tinha. Nessa época ainda sorria, sorria como se aqueles minutos de felicidade fossem os últimos e não eram, tenho medo que os últimos minutos nunca cheguem, afinal, o castigo dos homens foi ter o amor substituido pelo sofrimento e este castigo não seria justo se não fosse eterno.
O pouco eu que resta segue vivo por medo de morrer e encontrar um lugar pior, se é possível algo pior que isso, melhor não desafiar Murphy. O pouco eu que resta é pura morte, mas que insiste em andar, que insiste em vida... Que é contraditório e esperançoso.

14 de ago de 2010

Homem e Mar


Assiste as ondas do mar irem e voltar, de sua sala vê o belo sol terminando de se afogar. O whisky molha-lhe a garganta, mantêm a mente entorpecida, o que não faz sumir a dor de estar sozinho no dia de seu 45º aniversário. Lembra das pessoas que pisou e as inconsequências que cometeu para chegar onde está.
Sente faltado amigo que já não há?
Orgulha-se dos pais que já não são?
Arrepende-se de pai não ser?
Mas, apesar das perguntas, tem certeza do que realmente é...
É solidão sentada no sofá, olhando o mar eternamente ir e voltar, nunca cessando sua luta de chegar a algum lugar. Além de solidão, é também ódio e perdição, inconsequência sem arrependimento, é branco por fora e por dentro, ausência de sentimentos que deveriam colorir sua alma. É o primeiro homem totalmente preenchido pela solidão e a solidão é branca, como a cegueira que quase matou o mundo. Não acredita em vida após a morte, em inferno ou paraiso e é por isso que não se arrepende do que fez. Tem o que dizem ser essencial para a boa vida na sociedade de hoje em dia, muitos o invejam e muitos são invejados por ele, mas ele inveja apenas aqueles que como ele buscam uma resposta na luta eterna do mar.
Uma resposta que as ondas nunca vão mostrar.

Mundo Sozinho


Ao meu lado há um coração partido, largado ao vento, ao frio. Bate fraco, desiludido... Sua poesia já é de poucos versos. Talvez ahaja uma história de luta e vitória em seu passado e, aqui agora, bate fraco por um duro golpe que o destino lhe pregou. Há também a possibilidade de bombear o veneno de alguma doença sem cura e, aqui agora, olha esse pobre mundo podre enquanto deixa de viver.
É um coração e a quem olha? A quem pertence? Que lembranças o quecem? É um coração largado ao frio do esquecimento, batendo fraco, sem intentos. O que o fez ficar assim? Quanto vale? Amou? Sofreu? Ninguém pode saber, somento o coração que sente até mesmo o que já se foi, e o que foi?
Foi ele (um coração) e só.
Não posso fazer nada para salva-lo, talvez até seja um aviso, talvez seja meu coração, talvez apenas esteja aqui pra provar que mesmo diante do sofrimento mais profundo em uma pessoa, não fazemos nada para ajudar ou melhora-la.
O coração agora é mudo e o que impera é mente e mundo.

14 de jul de 2010

Carta de Prazer com um Adiantado Adeus


Vivendo e aprendendo segue a pena caindo e o peito cedendo e é assim que a luta vai adiante, meus braços já não fecham, são as feridas de uma seringa viciada em mim. Já não sinto dor e nem esse ópio me faz efeito... O problema é o pedido do meu corpo que perde as forças, que pede o suicídio e que se excita a cada nova picada deste mosquito da morte. Meu corpo, meu templo de perdição, meus braços são territórios do prazer. O passado é passado quando corre por minhas veias o incessante prazer deste analgésico e atualmente só ele é capaz de me dar um orgasmo, esse sem igual, mas não recomendado. Jogam-nos na cara em alguns bons filmes a imperfeição dessa sociedade, nos pedem pra muda-la, mas poucos vêem esses bons filmes e poucos são os insatisfeitos com a sociedade. Eu, insatisfeito com a sociedade e comigo mesmo me escondo embaixo desse cadáver ambulante, e escondia a sociedade cada vez que injetava minha salvação... É ilusão acreditar que a salvação não cobra nada, a salvação tem um braço dado a perdição e esse segundo braço é maior e mais forte que o outro, me sinto perdido em minha salvação, a sociedade já não se esconde como antes e só me resta a raiva por essa sujeira toda, mas o corpo me impede de lutar, a mente me convence que é mais fácil aumentar a dose "isso vai dar certo!" ele me diz e eu vou cego e burro atender esse pedido que não para... Tenho consciência de que isso irá me matar um dia, mas se viver for olhar a vida com os olhos frustrados de quem não pode muda-la prefiro minha heroína, ela me faz deitar e esquecer que isso ainda existe. Por isso uma Carta de Prazer com um futuro Adeus.

PS1: Esse texto não procura fazer nenhum tipo de apologia ao uso de drogas
PS2: Não, eu não sou drogado.

1 de jul de 2010

Sobre Aquilo que me Deu Vida


Mais me vale ter palavras pra contar e conta-las mal, do que guardar em silêncio esse medo inconstante de perder a chance de brilhar letras em futuros livros. Mais me vale a incerteza de um final, do que a ausência de um inicio. Mais me vale o vicio ao ócio, mais me vale a linha torta do que a escrita perdida. E valendo-se tudo assim ao escritor, segue esse seu caminho sem temor, lutando em frente de batalhas que não existem, velando tristezas em enterros no céu. Semear poesia nesse asfalto de impurezas, incertezas de compreensão, é o trabalho mais difícil que se tem em mãos, não mais honrado que aquele que cuida das feridas ilusórias do coração, nem mais imoral que aquele que entrega a carne ao prazer alheio. Escrever é arte, talvez a arte seja a vida, mas é a morte quem dita a eternidade de um autor. Morre uma poesia hoje, morre uma prosa amanhã e de tanto morrerem as boas letras, chegará o dia em que páginas em branco serão arte, nesse dia a árvore da escrita terá sido podada, as lendas de suas grandes raízes que ainda residem abaixo do chão, serão contadas como se os tempos bons fossem aqueles antigos, e nós, seus ramos novos apodreceremos em seu sangue encardido.

30 de jun de 2010

Futuramente Presente


Chego à conclusão de que sonhar é individual, as pessoas não partilham os mesmos sonhos e talvez nem o mesmo objetivo. É difícil contar a história que me fez tirar essa conclusão... Ela ocorreu há muito tempo e até hoje o peso dela coloca meus ombros abaixo. Sou um escritor de longa estrada, faço isso pra ter o que comer. Tentei por vezes orgulhar meus pais com minha arte, mas eles morreram achando que eu não podia escrever assim tristemente, pois não tinha motivo para ser triste. Nunca tive o apoio para leitura ou para escrita, talvez não acreditassem em meu talento, ou apenas não me apoiaram pelo fato da escrita não ter me dado dinheiro naquela época. Mas eu segui, como um cego que busca um apoio, eu segui deitando a pena ao papel, contando histórias que eu julgava pertinentes, contando estórias que julguei bem pensadas. O papel de um escritor é viajar em sua própria mente morrer em seu ponto final e perpetuar-se em suas reticências. Pensei em destruir cada uma de minhas estrofes, guardar nas más lembranças a visão de mundo que eu tinha... Pensei em limitar minhas ilusões, em ser mais um reflexo do espelho que envolve a sociedade, quis largar o diferente e criativo e me apegar a cópia mal feita de uma história mal contada. Quando o monstro em nossa mente é mais forte que o medo em nosso coração, não há luta, a besta sempre vence... Assim continuei dando vazão aos urros intermináveis da minha cabeça... Continuei me apoiando nas minhas próprias pernas e ombros. Não sonho mais em receber apoio dos que amo, aqueles que nos amam são os que mais destroem nossas paredes... Eu me deito e me sujo em meus escritos até que eles me engulam para suas entrelinhas e eu preciso apenas disso.

20 de jun de 2010

Romeu e Julieta


Cruzei meus olhos com os dela, estava sozinha em uma mesa, parecia triste, seus olhos imploravam companhia. Olhei ao redor e não havia mais mesas vazias, famílias completas e amigos de longa data infestavam o lugar de alegria. Ela lá sentada e sozinha era o preto e branco de uma foto colorida. Me aproximei e pedi cadeira, além claro de um pedaço da mesa, prometi não lhe incomodar, expliquei que tenho mania de comer rapidamente e sem tirar os olhos da comida era preciso apenas que ela ignorasse a minha presença. Ela aceitou, pareceu disposta e ver através de mim, me deu um sorriso, infelizmente o sorriso não apagou sua cara de tristeza... Sentei-me e comecei a comer, ela comentou o fato do lugar estar completamente cheio, eu concordei e lamentei o fato de ter de incomoda-la para almoçar, tinha uma bela voz, aquela moça sem nome, disse ela que eu não estava incomodando, que odiava almoçar sozinha, mas para afastar-se de casa fazia isso as vezes. A conversa continuou, não sabíamos o nome um do outro mas conversamos, como velhos amigos, ela foi se soltando, o sorriso apareceu em sua boca e agora eu era capaz de perceber a beleza daqueles olhos azuis. Perguntou-me o que costumava fazer, menti sobre minha carreira e sobre gostos pessoais, a beleza dela me cativava e a realidade sobre minha pessoa faria ela desistir. As garfadas foram passando e nós conversando, o ar ignorava o som que devia chegar até nós, o restaurante era lotado, mas havia ali apenas eu e ela. O assunto as vezes parava, mas nossos olhos não se desviavam, "pintava o clima" como costuma-se dizer hoje em dia, continuou assim o almoço até termina-lo, comprei refrigerantes para beber e poder continuar o papo, era um bom papo. Ela sabia conversar, era interessante, e parecia sincera, o que pensaria se descobrisse a fantasia em minha atitude? O que ela acharia do verdadeiro eu? Estas são perguntas sem tempo para serem respondidas, e continuando a falar de tempo, o tempo passou e eu já devia ir embora. Disse a ela que tinha um compromisso, ela sorriu gentilmente, disse que era uma pena, que estava sozinha e que não teria nada para fazer em casa. Fui obrigado a dizer-lhe a verdade, eu não tinha compromisso, apenas estava me achando inoportuno na mesa junto dela, convidei-a para irmos a outro lugar, quem sabe passear entre as árvores de um parque, disse a ela que apesar de tudo eu era de confiança. Ela disse de volta que saberia se defender caso eu não fosse... E assim saímos de lá, caminhamos até um parque próximo, olhar árvores é melhor do que caminhar olhando para prédios e carros. O clima melhorou e eu já queria aqueles lábios em minha boca, mulher encantadora... A caminhada foi longa e a conversa não decaiu em qualidade um segundo sequer, nos queríamos e ambos sabíamos disso. Finalmente nos rendemos ao encanto da situação, nos beijamos apaixonados pela atenção dada ao outro, e o beijo foi tenro, os lábios dela tinham, que José de Alencar me perdoe o plágio, eles tinham gosto de mel e duraram quanto nosso fôlego permitia durar, a mulher dos olhos tristes era agora uma menina de sorriso fácil... A paixão alegra o coração dos tolos... Mas Cronos é cruel e decidiu que aquilo não deveria tardar. Sorrimos um ao outro dizendo que tudo tinha sido ótimo, ela me passou seu número de telefone, enquanto eu dei o meu a ela, demos um beijo de despedida como um velho casal de namorados.
Gostaria de saber qual o motivo do tempo passar tão rápido nessas ocasiões em que queríamos que ele se estendesse ao máximo...

Viraram-se as costas, cada um em uma direção, jogaram os papéis com os números ao lixo... atualmente é assim a alegria, as belas histórias de amor, não passam de um dia.

e Dizemos Amor Sem Saber O Que Seja



Fala do Velho do Restelo ao Astronauta
José Saramago


Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.

11 de jun de 2010

Mais um Dia.


Hoje, quando o dia amanheceu refletiu perfeito o vermelho de seus cabelos. Seu cheiro impregnava meus sonhos e aposto que mesmo dormindo eu sorria, a completude batia em meu peito e o frio não me fez sentir com medo, seu corpo quente imediatamente me fazia adormecer. A madrugada, nossa velha companheira de estrada, assistiu o amor compartilhado em nosso sono e o abraço amarrado de nossos corpos. O dia amanheceu timido, sorriu aos poucos, sorrindo por nós dois atados, agarrados um ao outro. Há tantas palavras belas pra te dizer, tantos momento para recordar e tantas maneiras de te amar, dificil ordenar as palavras, deita-las em um texto curto que lhe declare todo o amor que sinto. O primeiro ano se aproxima, um ano que mudou nossas vidas, colocou mais vontade em nossas caras e mais sorrisos em nossas bocas. O tempo é quase inexistente quando estou com você, os dias são segundos, semanas minutos e os meses quando percebi já haviam passado. Um ano, uma história que se começa a construir juntos, é o primeiro ano, o primeiro dos muitos, e me sinto conhecido há tantos. É o dia dos enamorados e são tantos os presentes guardados, tento tira-los aos poucos e deixar-se ler em partes, mas a minha pele já têm um livro sobre você.

A Flor em Cada Um de Nós


O espelho, dono de todas as verdades do mundo, criador do infinito e pintor sem igual. Conheceu a face dos mais nobres, refletiu os pobres e teve em seus olhos todo tipo de sentimento. O espelho, dono do mundo, contraparte da mentira, complemento da verdade.
Narciso encontrou o infinito no espelho e deixou viúvas suas ninfas. O que terá ele encontrado na infinitude? Será o infinito o reflexo do que vemos na realidade? A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Nasceu uma flor no lugar de Narciso, filha criada de seu fim, ferida bela na terra. Os dias choram e quanto mais choram, mais belo é Narciso... Narciso eterno, como o infinito, Narciso infinito, como o espelho.
(Hoje somos todos espelhos, cada um reflete-se infinitamente em frente ao seu duplo, aquele preso no mundo dos espelhos, buscamos a infinitude em nosso olhar, Narciso vive ainda hoje.)

2 de jun de 2010

Sonhos brancos, Vestidos com Asas



Verdade a Mão
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

Cores enegrecem o meu quadro
Cheio de montanhas e buracos
Chuva fina que cai na estrada
Sonhos brancos, vestidos com asas

Mão de sangue, amor de mãe
Serenata cantante, palavra de dor

Gritos obscuros no quarto claro
Poesia suja com palavras belas
Batalhões de guerra armados com rosas
Sonhos negros, vestidos com asas

Mão de mãe, amor de sangue
Serenata de dor, palavra cantante

São apenas quadros
Munidos de fatos que ninguém entende
São apenas fatos
Mentidos em quadros que ninguém viu

São apenas sonhos
De alguém acordado
É apenas a insônia
De alguém que está sonhando

Mãe de sangue, mão de amor
Palavras na serenata, cantadas com dor

É apenas o que é
É apenas o que sou
É o que somos.

26 de mai de 2010

...

Me fiz de morto pra ver passar a vida
Escondi-me no fundo do poço esperando a água secar
Corri descalço pelas ruas, sentindo o sangue me lavando
E fui me levando, pro lugar onde sempre quis estar
Longe de tudo, dono do nada.

Onde foi?


A falta de inspíração que tomou minha casa e sentou em meu peito, sufocando assim aquelas palavras de ordem definida que minha cabeça grunhia. Falta de inspiração que me enche o corpo com sangue já corrido, com ódio não gritado e com medo não sofrido... Vejo o mundo com ironia, pensando que ele não precisa ser representado, falar sobre ele é falar sobre tudo o que já foi dito. A chuva sempre molha o mesmo lugar... Busco algo desconhecido sobre o que falar, mas só me pulam na cabeça histórias já contadas. Deveriam vender remédio para pessoas em crise de criação, o mundo quem sabe teria mais artistas e menos coisas escritas em vão.

12 de mai de 2010

Constatação


Há muito tento escrever um final feliz que faça o leitor abrir um sorriso, que faça ser justo o sofrimento do meio e que seja um espelho da alegria do inicio. Levo tragédias em minha pena, pinga desprezo da minha tinta, a felicidade é guardar a tinta e a pena na gaveta para da-las descanso enquanto tento alcançar minha paz. Penso no porque de querer um final feliz, afinal, o fim propriamente dito não deixa pessoas sorrindo em um funeral, não faz um filho sorrir para o túmulo recém construido para seu pai, não faz mostrar os dentes alegres dentro de um necrotério. Não tento iludir meu leitor, o fim dele não será feliz e nem o meu será, ambos deixaremos lágrimas, mesmo que ressaltem apenas as boas coisas que fizemos. Os finais felizes são para iludir, de criadores-ilusionistas o mundo está cheio e os segredos deles já foram revelados, mas mesmo assim eles não param de surgir. Não sou um ilusionista (talvez nem seja um criador), escrevo sobre o fim e o fim sempre é triste. Sorria no inicio e iluda-se no meio, seja feliz a cada verso e linha, pois o fim nunca vai fazer você sorrir.

8 de mai de 2010

Egoismo


Aconteceu em um dia normal, levantamos para cumprir nossas rotinas, ir ao trabalho e levar as crianças para a escola. Sou pai de dois garotos o mais velho tem 15 anos e o mais novo 10, grandes garotos. Como ia dizendo, aconteceu em um dia normal, os levei a escola e fui para o trabalho, a música que tocava no rádio estava sempre presente, não entendo inglês, mas comentam que fala sobre pecados. Nesse dia pensei sobre meus pecados e pela primeira vez em 45 anos eu temi por eles, se o tempo voltasse metade deles não teria ocorrido... Costumo chamar esse dia de dia da consciência, foi ali dentro do carro que eu percebi que existem pessoas além de mim, que eu nunca dei a atenção que meus filhos mereciam, que nunca levei a sério o sonho do mais velho em se tornar escritor... Fui injusto como meu pai havia sido comigo, decidi que mudaria meu jeito de ser, chegar a essa conclusão, de que eu não era o pai que sempre sonhei em ser e que provavelmente não era nem de perto o pai que meus filhos gostariam de ter me deu medo e me aliviou. Faria-os feliz e seria um pai presente, não estaria apenas no carro levando-os a escola, estaria além disso, estaria pulsando junto com o peito deles quando eles pensassem em orgulho... Aconteceu no carro, em um dia normal e talvez se não tivesse acontecido, teria a presença dele qui ainda... Meu garoto...
16 Anos de idade e milhares de sonhos na cabeça... Já faz um tempo, e o cartaz de desaparecido continua me olhando da parede, me culpando por tudo o que fiz. Tenho certeza que o tempo não me trará respostas e talvez, eu não as queira... Tenho medo de meus pecados não serem perdoados por Deus.

5 de mai de 2010

Tantas Lembranças neste Céu


Estrada Para o Paraíso
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

As vezes penso em me deitar na grama
Olhar pro céu e contar as estrelas
Penso na mulher que me ama
e no quanto de mim ela têm

A noite tem o cheiro do perfume
Que ela banhava o corpo nu
Tantas lembranças neste céu
Que cobriu envergonhado
Nossos corpos em mel

Já me cai uma lágrima do olho
De lembrar do passado magoo
a memória boa que ela me deixou
Como nosso amor, ninguém amou

E foram tantas armadilhas
que a vida vadia nos pregou
e o tempo apagou todas as luas
descobriu nossas vergonhas
Como nós, ninguém amou
Foi essa verdade que ficou...


Voltando a escrever (pessimamente) depois de um tempo sem. Sim, ficou horrivel

Salvador Dali



2 de mai de 2010

Isto. (Capítulo Primeiro)

Primeira parte do futuro pseudo-livro: Isto (Introdução)



Capítulo Primeiro


Comecei a inexistir a partir do momento que abri os olhos, claro que não tinha idéia disso, mas foi ali que comecei. O primeiro fôlego tomado é apenas pra chorar, nascemos sofrendo, como então negar a existência do sofrimento? Dizem que sofreram pra nos salvar, o nosso sofrimento salva o que/quem? Lembro que a primeira pseudo-existência da minha vida foi lendo um resumo de Os Miseráveis, Senti a mesma vergonha que Fantine sentiu quando vendeu todos os dentes da boca para ter dinheiro e poder assim alimentar sua filha, mais uma vez a memória guardada é a do sofrimento, nesse caso vivido “paralelamente”, o primeiro personagem que senti na pele, minha primeira máscara, uma jovem e bela mãe solteira que pra não deixar a filha morrer de fome, estragou o próprio sorriso. E pra que serve o sorriso que enfeita a boca de tantos homens hoje em dia? Parece-me óbvio que sirva apenas para enganar. A máscara do sorriso é a mais vendida em nosso mundo, sorrimos mostrando todos os dentes, quando na verdade nem teríamos dentes para sorrir se a sinceridade comandasse o mundo. Caem-se dos olhos as lágrimas de amor, nas canções a morte é parceira de estrofe do nome da mulher amada, na vida, a realidade é escondida. O sorriso de um cantor que fale de morte, o martírio de uma musa que ganhou apenas uma poesia... Tudo escondido embaixo do tapete, o mesmo tapete onde o nosso verdadeiro sorriso está perdido. Sufocado pela poeira, pelas cinzas que caem de nossos olhos, quando estes se derramam em dor.
Viver sempre será difícil, para qualquer um, pois no nosso mundo de mentira (não, não se trata de um mundo criado em nossa mente/sonhos), é esse mundo mesmo, que pisamos no chão, que comemos com as mãos, que enterramos sem cessar, nesse mundo é difícil viver, pois viver nele está ligado a mentir. A mentira é uma verdade incontestável, enquanto a verdade, não passa de mentira. A verdade não existe se não no sonho do louco mais louco, a verdade não existe se não nos olhos do mais morto dos suicidas. O que é a verdade para você leitor? Que recebeu um Eu Te Amo rápido pelo telefone, que foi brindado com o sorriso de um estranho, que foi elogiado quando não merecia? O que é a verdade e o quanto a verdade é valorizada por você? Falar a verdade e receber um não, ou mentir pra receber um sim? Assim pisamos em outra pedra que pode cair... O caráter.

31 de mar de 2010

Ao Fim Definitivo (Decepção, Parte Final)


É tanta decepção que eu mal consigo escrever, essa é a última parte da série, o último texto dedicado a mais uma pessoa que provou não valer a pena, os últimos versos jogados pra quem não merece e nunca vai merecer um outro perdão.
O sorriso me ergueu a cara de tal modo que até minha familia comentou, meus amigos gritaram... "Quando você estiver mal, olhe a sua aliança e fique feliz de novo..."
O quanto vale um anel no seu dedo? Pelo visto não vale sua sinceridade, seu amor... Talvez não valha nada.
Não sei se te desejo mal ou bem... Talvez te deseje o nada, o vazio dos dias solitários, das culpas eternas que nos abrem feridas cada vez que decidimos lembra-las, te desejo aquela velha cadeira de balanço que te leva pra trás e pra frente nas suas memórias e que te lembra o vazio daquele futuro que você mesma destruiu.
E o que ganhei com aquelas poesias dedicadas a você, foi a sua traição, o seu desprezo... Você conseguiu me ensinar que viver de sonhos é coisa de criança, que os adultos precisam viver de realidade e que ela é totalmente diferente daquilo escrito em poesia.
Eu fui seu poeta, te entreguei tudo aquilo que havia de mais puro no meu sangue, eu te chamei de deusa, eu te pedi em casamento e te prometi sinceridade e sinceridade respirei a cada palavra que dizia a você.
Não me arrependo de ter passado por tudo o que passei, me arrependo de ter deixado o amor me fechar os olhos em cada perdão que eu dava a você. As pessoas são imutáveis, as pessoas são a mesma coisa.

Você diz estar cavando a sua própria cova, espero que suas mentiras te enterrem muito bem.
Longa vida, longa culpa...

30 de mar de 2010

Ferindo A Cabeça Com Coisas Que eu Disse


I Started A Joke
Bee Gees (Letra Original em Inglês)

Eu comecei uma piada
Que fez o mundo inteiro chorar
Mas eu não ví
Que a piada era sobre mim

Eu comecei a chorar
O que fez o mundo inteiro rir
Oh, se eu apenas tivesse visto
Que a piada era sobre mim...

Eu olhei para o céu
Passando as mãos sobre meus olhos
E eu caí da cama
Ferindo a cabeça com coisas que eu disse

Até que eu finalmente morri,
o que fez o mundo inteiro viver
Oh, se eu apenas tivesse visto que a piada era sobre mim...

Eu olhei para o céu
Passando as mãos
Sobre meus olhos
E eu caí da cama
Ferindo a cabeça com coisas que eu disse

Até que eu finalmente morri,
O que fez o mundo inteiro viver
Oh, se eu apenas tivesse visto que a piada era sobre mim...
Oh não! Que a piada era sobre mim...
Oooh...

Fontes Forjadas


Realidade em F
Alexandre Ferreira

Fui ferir-te
Fazendo-a Feliz
Finados Favores
Feridas Febris

Fracos Fomos
Fizeram-nos Fortes
Foi-se, Fim
Faça, Fim

Facas Fincadas
Fontes Forjadas
Festas Fechadas
Fatos Falados

Finda-se Feliz
Favor Final
Feridas Febris
Ficam, Fim

15 de mar de 2010

Me Tranco Aqui, me Farto


Fuga
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

Quero fugir desse mundo,
Ir sozinho e mudo
Viver meus sonhos n'outro lugar.
Morrer de tanto amar,
Beber das flores e me banhar no mar.

Fujo dessa história mal contada,
Das horas que continuam paradas,
Da Multidão que luta armada.
Fujo por essa velha estrada
Tão solitária, sincera e gentil,
De encontro ao meu lugar infantil.

Mas tudo não passa de ilusão,
Vivo nesse incrivel mundo cão
Secandos os olhos com a mão.

Mais uma vez acordo de um sonho.
Pinto as paredes do quarto,
Me tranco aqui, me farto
Da minha realidade solitária!
Minha realidade sonhada!
Abro a porta, tudo que é nele, não é aqui fora...
E tudo se fôra.

13 de mar de 2010

Teatro de Rua


Hoje eu resolvi escrever algo feliz, e percebi que escrever sobre felicidade é mais dificil do que escrever sobre tristeza. Tentei dar um sentido diferente as palavras que sempre escrevo, elas soam sempre com o mesmo tom, o som que não muda...
Vesti uma roupa leve de cor branca, treinei um sorriso na frente do espelho, fiz piadas tão péssimas que nem eu ri... Relembrei os filmes de comédia que vi e tentei mais uma vez convencer o meu reflexo de que eu tinha talento para o stand-up. O reflexo riu, mas não das piadas que contei e sim do papel de idiota que eu estava fazendo. Desisti, resolvi dar uma volta pelas ruas...
Olhei o rosto das pessoas e percebi que muitas delas pareciam preocupadas ou tristes e as poucas que pareciam alegres, não contagiavam o resto. Pensei que era uma cidade triste, estranhamente isso me alegrou, sendo a cidade triste eu não conseguiria me sentir um peixe fora d'água, pela primeira vez, senti que eu era parte dessa sociedade... A sociedade que multiplicou os pierrôs e tem os arlequins escondidos pelos cantos.
O sorriso brotou em minha boca de forma natural, cumprimentei as pessoas, dei dinheiro a um malabarista, ajudei uma senhora a atravessar a rua, eu me sentia bem, me sentia parte da sociedade, essa sociedade triste me abraçava e eu lhe dava um beijo molhado e sorridente no rosto...
Andei pelas ruas de uma forma que nunca havia andado, aproveitei o asfalto, aproveitei as construções, não tossi com a fumaça cuspida pelos carros, eu consegui ter um bom passeio.
Abri a porta de casa, e toda a escuridão nela trancada bateu em mim com força, fui para o espelho e me xinguei de hipócrita, de mentiroso e de idiota. O reflexo me olhou abismado, deu uma risada sem graça e me disse tranquilamente.
- Todos os outros que como você sorriam, todos eles estão agora chorando em suas casas. Não há quem tenha motivos pra sorrir sinceramente pelas ruas... Não se confunda, você é o que é, e todos são o que você é... Tristeza.
E as cortinas do meu dia se fecharam. Ser ator é fácil, todos são.

10 de mar de 2010

História D'outro Ponto (Decepção: Parte 2)


O telefonema o deixa feliz, encontro uma da tarde, nada como dar uma nova chance ao amor. Ela chega nervosa, se mostra chorosa e o arrependimento lhe bate nos olhos antes mesmo de ter algo pelo qual se arrepender. O amor é agente do caos nesse mundo perverso em que vivemos hoje, o amor, aquele dos velhos contos-de-fada existe hoje apenas para musas idealizadas, pessoas reais não merecem amor. O beijo aconteceu sem mais delongas, tenho tanta saudade daquela certeza que fez meu peito se fortalecer. Aquele sol que se guardou sorridente, aquela saudade tola que invadiu minha mente, de repente... Veio então toda a confusão que se inicia com uma relação que começa não devendo existir.
Soltou-lhe os braços dizendo que não o amava mais, que tudo tinha passado, que viver meia vida não faz ninguém feliz... Jogou-se aos meus braços gritando amor e eternidade, dizendo que me queria por inteiro e sem problemas, que queria alegria que viveria vida inteira sendo minha.
Acreditou... Não fez nada além de acreditar, se arriscar, suportar e viver o sorriso que lhe nascia na boca. Assim seguiram-se os dias, semanas e meses... Assim seguiram-se até ela, aquela que jurou-lhe fidelidade, que buscava em seus braços conforto, que dizia não mais amar o outro, que vivia dele afastada, desligada... Assim foi, até ela lhe dar o veneno da decepção.

Hoje o amor não passa de palavra bonitinha, dita da boca pra fora por qualquer um que vive, o tempo e as pessoas apagaram a importância da palavra amor.

E ainda lhe perguntam qual o motivo que faz suas poesias serem tão negras...

6 de mar de 2010

Tente Contar a Verdade


A Beautiful Lie
30 Seconds to Mars (Letra Original em Inglês)

Deite na cama à noite
E pense sobre a sua vida
Você quer ser diferente, diferente?
Tente contar a verdade
As batalhas da sua juventude
Porque isso é só um jogo

É uma bela mentira
É uma perfeita negação
Apenas uma linda mentira para se acreditar
Tão linda,linda mentira, isso me faz...

É hora de esquecer o passado
Passar uma borracha no que aconteceu (No que aconteceu)

Você se esconde atrás de um rosto vazio
Não tem muita coisa a dizer
Porque tudo isto é só um jogo

É uma bela mentira
É uma perfeita negação
Apenas uma bela mentira para se acreditar
Tão linda, linda mentira, isso me faz...

Todo mundo está olhando para mim
Estou andando em círculos,querida
Um secreto desespero está crescendo
Eu tenho que me lembrar isso é só um jogo

Tão linda, linda
Tão linda, linda, é uma linda mentira...
Tão linda, linda, é uma linda mentira...
Tão linda, linda, é uma linda mentira...
Tão linda, linda Mentira...

É uma bela mentira
É uma perfeita negação
Apenas uma linda mentira para se acreditar
Tão linda, linda mentira, isso me faz...

cai nAs Mentiras Que Me Deste


Sobre Fins (Decepção: parte 1)
Alexandre Ferreira

Se conheceres um dia a verdade
Manda-lhe um beijo de saudade
Pois com tudo que fizeste
Desacreditado em tudo estou

Coração enganado pela maldade
Acreditei na tal feliz eternidade
Cai nas mentiras que me deste
Agora nessa via escura eu vou

Creditei minhas crenças em igualdade
Quisera poder encontrar felicidade
Avisei-lhe sobre a dor, me negaste
Resta apenas o medo que ficou

Se conheceres um dia a saudade
Viva essa única verdade
Se um dia realmente me amaste
Sofra pelas mentiras que me doou

Se conheceres um dia a felicidade
Diga-lhe que tenho vontade
De toca-la em seu manto celeste
E ter a cura para um coração que chorou.

5 de mar de 2010

Citação do Dia

"Mentiras e meias verdades podem abrir uma ferida na mais sólida união, como as ondas que, lentamente, abrem fendas nos rochedos. Ser infiel à franqueza é, de repente, ter o véu do romance cortado pela lâmina da separação!"

Inácio Dantas (Escritor Brasileiro)

3 de mar de 2010

Vive como Dormido...


Talvez
Amado Nervo (Tradução de Amado Miranda)

Talvez já não lhe importe meu gemido
lá nesse indiferente Éden calado
no qual o espírito desencarnado
vive como dormido...
Talvez nem saiba o que tenho chorado
e o que tenho sofrido.

Em profundo quietismo,
sua alma, que antes me amara sobretudo,
já desliza glacial por esse abismo
de perpétuo mutismo,
esquecida de si, de mim, de tudo...

Hoje Vou te fazer Chorar


Canção Pra Você Viver Mais
Pato Fu

Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer:
Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar

Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar

Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais

Deixei que tudo desaparecesse
E perto do fim
Não pude mais encontrar
O amor ainda estava lá
O amor ainda estava lá

Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais


Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo eu quis
Faz um tempo eu quis
Você viver mais

2 de mar de 2010

Aos Opostos da Vida



Era um jovem, e como jovem não via o mundo como um lugar pra ser levado a sério. A música alta, as pessoas pulando, isso lhe chamava atenção. Brigava com os pais e xingava os irmãos, vivia seu mundo de festas de emoção, não a vida triste que seus pais levavam em vão. Acreditava que vida seria curta, que poderia morrer daqui um ano, um mês, um dia, agora... Afastava esses pensamentos com a batida rápida que o coração batia para acompanhar a música. Sorria aos desconhecidos, apertava a mão de novos amigos, desprezava a mãe, provocava o pai, era um jovem em descensão.
Teve várias paixões, vários corpos em seu colchão, vários prazeres em suas mãos, mas era um jovem e como principal característica vinha tatuada em seu corpo a insatisfação.
Criou inimigos e velou o corpo morto de vários amigos... As pesquisas dizem que quem mais morre são os jovens, o futuro do mundo é morto e ele em breve seria mais um número nas estatísticas.
E pra que se preocupar? Não se sentia amado por sua família, morria de amores de um só dia e só o que sua mente e corpo pediam, era mais uma música para terminar a noite. E a noite se passava com bebidas no copo, misturas de corpos e os amigos mortos, enterrados e esquecidos.
A morte dos amigos nunca pesou-lhe como cruz as costas, eles morreram como ele desejava morrer, com um sorriso na boca e sem ter tempo pra sofrer. Invejava os amigos mortos, a vida não lhe satisfazia, mas enquanto a vivia preferia manter-se embriagado, mergulhado em música alta... Isso o fazia esquecer, ou apenas não pensar.

O tempo passou e a morte não veio, seus pensamentos mudaram... Largou os conflitos, arranjou um amor. Entregou flores a mãe e deu um abraço amoroso no pai. Os irmãos o visitam no domingo e os amigos são bons e velhos amigos. Quando jovem, sempre perguntou-se o que fazia de um homem, um homem. Hoje a resposta brinda-o todo dia nos olhos de seu filho, na voz fina que lhe chama "pai", no sorriso amoroso de sua mulher servindo o jantar, no emprego bom que lutou para arranjar. Hoje sabe ser um homem, e seguindo seus antigos amigos o jovem que era morreu e foi enterrado, esquecido e amargado.
Ter um filho deu-lhe a obrigação de ter um amor. "Um homem só começa a amar quando se sente obrigado a fazer isso", era essa frase que seus pensamentos diziam ao entardecer, sentado a frente de sua casa, vendo o sol se pôr, indagando porque tão belo era o céu antes de morrer e dar lugar a mais uma tenebrosa noite. Seu filho cresceu e fe-lo sofrer como seu pai sofreu, percebeu que os jovens são todos iguais e que um coração só cresce quando quer. Seu principal problema era pensar demais, tentava encontrar a resposta em tudo o que fazia, cuidava seu jardim durante o dia, o silêncio era terapia e sua mente viajava. Via o céu entardecer e durante a noite abraçava o corpo de sua mulher. "Depois que aprende a amar, o homem ama até ser capaz de chorar"

Quando seu filho foi embora, sentiu um vazio se apoderar do seu peito. A mulher solitária era agora lembrada apenas quando o desejo vinha lhe bater na cabeça. Tentava mudar isso que agora era rotina. Via-a solitária, amargurada ao assistir a felicidade em novelas, mas não se lembrava onde guardou sua responsabilidade, em qual das gavetas seus papel de homem fora esquecido. O ninho agora era vazio e seu peito se esvaziou junto dos anos. Os mesmos anos que trouxeram de repente o homem de volta.
Esse dia era cheio de chuva, todos o abraçavam e entregavam seus lamentos. Olhou para o rosto dela que parecia tão tranqüilo, mas a razão lhe jogava a verdade por dentro dos olhos e sabia que o coração dela era infeliz. A culpa de deixa-la morrer infeliz deu lugar a velha raiva juvenil, brigou com os filhos e com seu jardim. Matou as flores fez o sol não mais vir belo como antes.
Um dia antes do dia que sempre esperou uma frase formou-se em sua mente e depois tomou seu coração. "Um homem nunca aprende a amar nada além de si mesmo". Ao constatar essa, que era sua verdade absoluta, ele chorou feito uma criança e não parou de derramar suas lágrimas até o seu dia final chegar. E chegou tranqüilo, sem bater na porta, sem fazer alarde.
Morreu ao perceber que é tudo tão errado. "O homem só é capaz de se sentir satisfeito ao fazer alguém sofrer" Depois disso, sua voz perdeu a força e seu coração se contraiu. A dor de todos que fez sofrer, doeu em seu corpo. Ele morreu.

23 de fev de 2010

Poesia Vista




As flores morreram de frio

e de Seus Pedaços Gritam Escassos


Um Poema Feliz e Rasgado
Alexandre Ferreira

Eu escrevi um poema feliz
E dentro dele há um sorriso guardado
Cheio de dentes brancos e puros
Inundado de risos e sonhos

Por escrever um poema alegre
Recebi felicitações até das palavras
Minhas amigas de bebida e lágrimas
Tão surpresas ficaram... que choraram

É um poema feliz e de grandes alegrias
Palavras destinadas a quem faz chorar
A quem em poema feliz não acredita
Poema feliz e renegado... Rasgado
Poema rasgado

Era um poema feliz
E de seus pedaços gritam escassos
Meus pedaços de amor....

Um poema não é para te distraíres


Projeto de Prefácio
Mario Quintana

Sábias agudezas... refinamentos...
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

5 de fev de 2010

O Tempo Mata e O Tempo Morre


Tempo de Vida
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

Profetizando o que me resta de vida,
Vivo sonhando acordado felicidades que não virão,
Trabalho a mente pra esquecer do corpo morto pelo chão,
Pra esquecer do coração errado que me construiram.
Sigo... O caminho da desesperançosa esperança
Contraditórios sentimentos, contraditória existência.

Cicatriz espalhada pelo peito, tatuagem eterna da dor
Pintura que representa as batalhas ganhas, ou as perdidas?
Dúvidas nascem a cada célula morta, mais próximo do fim,
Mais próximo de começar o desespero.
Medo de ser esquecido, de esquecer, de perder o que vivi
Medo de perder o pouco que lutei pra conquistar.

Movido pelo medo sigo movendo as pernas cansadas,
Indo da vida morta para a morta vida
Indo pra onde eu sempre temi ir, viagem sem fim.
Quando volta quem vai sem viver?

Se me parassem de morrer os minutos
Eu tentaria resgatar as horas,
Essas que passam e levam juntos os dias
Os meses, os anos... O Tempo não me espera viver.
O Tempo mata
O Tempo morre.

Pois a roda Ainda Está Girando


The Times They Are A-Changing
Bob Dylan


Por onde quer que andem
e admitam que as águas
á sua volta aumentaram (cresceram)
E aceitem que logo
Estarão cobertos até os ossos
Se seu tempo para você
Vale a pena ser salvo
Então é melhor começar a nadar
Ou irá se afundar como uma pedra
Pois os tempos estão mudando

Venham escritores e críticos
Aqueles que profetizam com sua caneta
E mantenham seus olhos abertos
A chance não virá novamente
E não falem tão cedo
Pois a roda ainda está girando
E não há como dizer
quem será nomeado
Pois o perdedor de agora
Mais tarde vencerá
Pois os tempos estão mudando

Venham senadores, congressistas
Por favor escutem o chamado
Não fiquem parados no vão da porta
Não congestionem o corredor
Pois aquele que se machuca
Será aquele que nos impediu
Há uma batalha lá fora
e está rugindo
E logo irá balançar suas janelas
E fazer ruir suas paredes
Pois os tempos estão mudando

Venham mães e pais
de toda a terra
E não critiquem
O que não podem entender
Seus filhos e filhas
Estão além de seu comando
Sua velha estrada
está rapidamente envelhecendo
Por favor saiam da nova
Se não puderem dar uma mãozinha
Pois os tempos estão mudando

A linha foi traçada
A maldição foi lançada
E lento agora
Será o rápido mais tarde
Assim como o presente agora
Será mais tarde o passado
A ordem está
rapidamente se esvaindo
E o primeiro agora
Será o último depois
Pois os tempos estão mudando

2 de fev de 2010

Quanto Uma prisão de Pedra me Permite


Foi-se (Tudo)
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

Foi-se o tempo em que sorria,
O sol deu seu lugar para o choro
E agora só se faz apodrecer.
Molhar o corpo de chuva e lágrimas,
Agora só se faz o que não deveria ser feito.

Tentei levar normalmente,
Sorrir de forma convincente.
Só sei mentir...
Como o perfume de um velho frasco,
Como o sorriso de um novo palhaço.

A história morre a cada página virada
Engolindo falhas e desejos irrealizáveis.
Aceito o destino de que tudo vai cair.
Se me ouvisse como ouve a canção do rádio,
Mudaria eu as honras destas horas.

Foi-se o tempo em que queria,
O sol deu seu lugar às lágrimas
E agora só se faz molhar.
Apodrecer o corpo de sorrisos,
Agora não se faz o que deveria ser feito.

Vivendo a vida tão livre, tão viva
Quanto uma prisão de pedra me permite.
Fecho os olhos pra sonhar que ainda existe,
Esperança por detrás deste muro de olhares.
Tenho tempo pra sonhar todos os sonhos.
(Só sonhos...)

Foi-se o tempo,
Foi-se o vento,
Foi-se o sonho,
Foi-se...
(Até o que não deveria ter ido).

16 de jan de 2010

MÚSICAlMENTE


E toca uma doce sinfonia de fundo, violinos, pianos, instrumentos de sopro e uma batida que vai crescendo do fundo da canção, parecendo crescer do fundo do peito. A canção me engole pra dentro dela, meu coração tem o ritmo de suas batidas. Sinfonia doce e sem letra, fez de mim seu autor, sua escrita e agora não canta nada por suas estrofes. Se um papel me voasse a mão, escreveria uma história, um refrão contaria o que há de bom, o que não. Vê-se confundir as cores da parede, a música muta tudo, estou tão perdido em mim que ando perdido entre as notas. Vagando pelos becos escuros de cada verso já formado, grudando palavras sem sentido, tentando criar letra, poesia, prosa...história. O objetivo de todos é criar história, seja com som, letra, vitória. Me fogem as palavras, mas o violino me inunda a mente e de repente, não mais que de repente vem de longe o doce da voz dela, musa minha trazendo letra e lágrimas formadas... É ela quem canta não eu, é ela quem é não eu... Não vejo mais o rosto dela, não há mais mão que me tire dessa velha poltrona, não há agulha que me crave outra música no disco. Já não sei há quanto tempo ela partiu, quantos dias se passaram desde seu último adeus. A voz dela me traz o que compus para a mais bela das flores. Minha letra, sua canção... Desabitada minha morada, resta-me o disco, a jornada que faço de encontro aos sons, pois fui privado por você de todos os outros sentidos. Agora apenas o ouvido funciona, apenas sua música toca. Assim... Amor Eterno... Terno, Inferno.

Isto. (Introdução)




Introdução


Isto. Não há melhor maneira para definir a tentativa de contar a história de um homem que não existe, este homem inexistente sou eu. Narro aqui a história dele/eu, que busca apenas respostas para perguntas que nem foram feitas.
O principal objetivo disto é jogar ao léu pensamentos, tormentos, quiçá até sofrimentos, desde que isso seja pego pelo abismo onde todas as letras morrem.
Sou o que sou e não há definição melhor pra mim, sou um homem que conta as horas do relógio passar, que vê do céu a água jorrar, que aprecia com fervor os próprios olhos chorar. Um homem inexistente, que de tão não vivo, cria-se em personagens que nunca existiram. Sobrevive a amores que nunca partiram e tem medo de horrores que nunca o perseguiram. A mentira talvez seja a marca de todo escritor, o exagero, a indecisão, a contradição, talvez essas sejam as bases da poesia escrita hoje em dia, talvez essa seja base da minha existência não existida. Porque dos amores vãos nascem tantos sofrimentos? Porque da ganância nasce o crime e não a batalha? Porque no nascer da vida vem a certeza da morte? Não sabendo responder essas questões afirmo sem temor que não existo, e que talvez até você leitor não exista. Essas palavras podem nunca ter sido escritas, lidas, vistas, sofridas, tudo pode nunca ter sido.
E eu me pergunto, e você se pergunta... O que pode então existir? Talvez esse seja o segundo objetivo do livro, saber o que existe... Pra mim, existe o que está marcado em nossos corpos como cicatriz. O sofrimento é uma coisa que existe, que não há como negar, todos nós, os não existentes, nos agarramos ao sofrimento, isso o define como existente. Sempre que guardamos algo em nossa memória, o que mais fica, modifica, edifica é o sofrimento. O sofrimento existe, pois por sofrer de solidão o céu criou a terra e a lua se refletiu no mar.
O futuro é outra coisa que logicamente existe, explico. Quando temos um grande amor, o que mais esquecemos é de vive-lo, pensamos, juntamos, criamos o futuro, segurando a mão da esperança, deixamos o presente de lado e brigamos no futuro. Quando se ama, perguntas como: “você vai sempre estar comigo?”, “Quando nós morarmos juntos, teremos isso?”, chegam a ser clichês, essa é a prova da existência do futuro, não há perguntas como: “você está comigo agora?”, “aqui, agora, eu sou a melhor coisa da sua vida?”, talvez isso prove que não há presente...

Assim, somos todos deuses, inexistentes, mas agarrados/criados a coisas que existem.

14 de jan de 2010

Sobre Paz, Amor e Morte


Se a mente obedecesse o que o coração pede, haveriam mais pessoas satisfeitas pelo mundo. Hoje, porém, o que vale mais é a visão, o status, por que não as vantagens? O amor em breve será um acessório, ou quem sabe um perfume, certamente não mais que isso. O amor verdadeiro morreu com o coração de Dante, ninguém enfrentaria o inferno hoje em dia apenas para ver sua amada uma vez mais. O que enfrentariamos por nossos amores hoje em dia? Certamente viriam inúmeros sacrificios sem igual... Um dia existirá a prova real do amor e então cairão todas as máscaras que fazem desse mundo um mundo de paixões e não de amores. Quem revela seu verdadeiro rosto, fica sozinho, admirando o cantar dos pássaros, a chuva, os maços de cigarro. Lembrando de tudo, amaldiçoado com a lembrança do futuro inexistente. O mar sempre leva pra algum lugar, a água sempre apaga, o vento sempre some com tudo. Se fosse assim fácil a crença na subjetividade o fogo queimaria nossos pecados, morreriamos em paz e não mais desolados.

12 de jan de 2010

Memorial da Vergonha


Eram belos dias aqueles vividos com a brisa do mar e com o céu azul. Mulheres e mais mulheres, festas e amigos que fazem e trazem mais amigos. Eram belas tardes quando o sol se punha e o beijo era certo na garota que eu queria. Eram noites instigantes, abraçado ao corpo nu das mais belas meninas, assim formei minha juventude, vivendo de sons e toques em corpos que mal conhecia. Assim formei o que chamo de boas lembranças, boas fotos, bons tempos. Tempos estes que não vão mais voltar, nunca dei atenção o suficiente a quem merecia, amores jogados no lixo ou pendurados no armário cheios de poeira. Nunca amei, nunca me apaixonei, só queria ter e cada vez que tinha, queria ter mais, eu só fui um devorador de sentimentos, um causador de tormentos e de dores nas pessoas com as quais não queria me preocupar. Tentei aprender o sentido do verbo amar, mas ele nunca mais bateu a minha porta, como as mulheres que tive, ele se levantou enquanto eu dormia, e deixou um beijo de adeus no vidro do banheiro. Eu apaguei cada um daqueles lábios do espelho, apagando junto em minha mente, o gosto e o cheiro daquelas que o beijavam, tantos lábios houveram, tantas cores diferentes, meu espelho deixou de ser límpido e se enegreceu com a decepção de nunca receber o mesmo beijo duas vezes. São amores superficiais estes da juventude, morreríamos como Romeu, morreríamos como o mais galante dos homens, por uma noite apenas. Somos canibais! Tão canibais que um sinônimo de sexo é comer, comemos uns aos outros sem cessar, comemos com as mãos, com a boca, com o olhar, comemos uns aos outros sem pensar. E assim cada dia que passa sem termos outro em nossos braços, lábios, pensamos em morrer, entramos em crise. Valorizamos tanto o canibalismo em nossa sociedade que esquecemos que é sem amor que se morre e não sem sexo. Entendo isso atualmente, jovem não entendia, entendo isso hoje em dia, jovem e amar, eu não precisava, não queria. Disso é feito a minha memória, do sol se guardando tristemente dentro do mar e dando lugar a lua que iluminou os corpos que passaram por minhas mãos, tanta canção, tantas noites em vão, tantas histórias e nomes sem razão, tanto sexo sem paixão.

Aos olhos do que sou hoje, era apenas alguém que não pensava com a cabeça que tem cérebro, um jovem da massa, que pensa em agradar os amigos e não a si mesmo. Atualmente, eu era uma vergonha pra mim mesmo.

debaixo da água Vai Morrendo


Canção
Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

por que vale a Pena


For What's Worth
Placebo (Letra Original em Inglês)

É o final do século
Eu digo meu adeus
Por que vale a pena
Eu sempre miro para pedir um favor
Mas eu quase morro

Por que vale a pena
Venha deitar comigo
Porque eu estou pegando fogo
Por que vale a pena
Eu rasgo o sol em três
Para acender os seus olhos

Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena

Sai da minha família
Todo mundo chorou
Por que vale a pena
Eu tenho uma doença lenta
Que me engole seco
Por que vale a pena
Venha andar comigo
Para a crescente tendência
Por que vale a pena
Encher o espaço
O seu deus se formou hoje

Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena

Ninguém se preocupa quando você está na rua
Pegando as peças para conhecer o final
Ninguém se preocupa quando você está na sarjeta
Não tenho amigos, não tenho nenhum amor

Ninguém se preocupa quando você está na rua
Pegando as peças para conhecer o final
Ninguém se preocupa quando você está na sarjeta
Não tenho amigos, não tenho nenhum amor

Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor

Não tenho amigos, não tenho nenhum amor

O Poeta Deixa de ver A Salvação


Descarga
Alexandre Ferreira

De nada vale lutar por amor
O amor é tão sorrateiro quanto o ódio.
Opostos mais que juntos,
Assim são amor e ódio.

De nada vale dedicar-se
Enebriar-se, se entregar
De nada vale o amor ou a paixão
Tudo acaba em nada.

Quando o sol se põe
mudam-se as cores do céu
O poeta deixa de ver a salvação
E se esconde no mais escuro dos cantos

A única certeza que ele sempre leva
É aquela marcada no peito
Noite e dia, chuva e sol
Ele é o único que não se abandonará
Com... Certeza...