26 de mai de 2010

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Me fiz de morto pra ver passar a vida
Escondi-me no fundo do poço esperando a água secar
Corri descalço pelas ruas, sentindo o sangue me lavando
E fui me levando, pro lugar onde sempre quis estar
Longe de tudo, dono do nada.

Onde foi?


A falta de inspíração que tomou minha casa e sentou em meu peito, sufocando assim aquelas palavras de ordem definida que minha cabeça grunhia. Falta de inspiração que me enche o corpo com sangue já corrido, com ódio não gritado e com medo não sofrido... Vejo o mundo com ironia, pensando que ele não precisa ser representado, falar sobre ele é falar sobre tudo o que já foi dito. A chuva sempre molha o mesmo lugar... Busco algo desconhecido sobre o que falar, mas só me pulam na cabeça histórias já contadas. Deveriam vender remédio para pessoas em crise de criação, o mundo quem sabe teria mais artistas e menos coisas escritas em vão.

12 de mai de 2010

Constatação


Há muito tento escrever um final feliz que faça o leitor abrir um sorriso, que faça ser justo o sofrimento do meio e que seja um espelho da alegria do inicio. Levo tragédias em minha pena, pinga desprezo da minha tinta, a felicidade é guardar a tinta e a pena na gaveta para da-las descanso enquanto tento alcançar minha paz. Penso no porque de querer um final feliz, afinal, o fim propriamente dito não deixa pessoas sorrindo em um funeral, não faz um filho sorrir para o túmulo recém construido para seu pai, não faz mostrar os dentes alegres dentro de um necrotério. Não tento iludir meu leitor, o fim dele não será feliz e nem o meu será, ambos deixaremos lágrimas, mesmo que ressaltem apenas as boas coisas que fizemos. Os finais felizes são para iludir, de criadores-ilusionistas o mundo está cheio e os segredos deles já foram revelados, mas mesmo assim eles não param de surgir. Não sou um ilusionista (talvez nem seja um criador), escrevo sobre o fim e o fim sempre é triste. Sorria no inicio e iluda-se no meio, seja feliz a cada verso e linha, pois o fim nunca vai fazer você sorrir.

8 de mai de 2010

Egoismo


Aconteceu em um dia normal, levantamos para cumprir nossas rotinas, ir ao trabalho e levar as crianças para a escola. Sou pai de dois garotos o mais velho tem 15 anos e o mais novo 10, grandes garotos. Como ia dizendo, aconteceu em um dia normal, os levei a escola e fui para o trabalho, a música que tocava no rádio estava sempre presente, não entendo inglês, mas comentam que fala sobre pecados. Nesse dia pensei sobre meus pecados e pela primeira vez em 45 anos eu temi por eles, se o tempo voltasse metade deles não teria ocorrido... Costumo chamar esse dia de dia da consciência, foi ali dentro do carro que eu percebi que existem pessoas além de mim, que eu nunca dei a atenção que meus filhos mereciam, que nunca levei a sério o sonho do mais velho em se tornar escritor... Fui injusto como meu pai havia sido comigo, decidi que mudaria meu jeito de ser, chegar a essa conclusão, de que eu não era o pai que sempre sonhei em ser e que provavelmente não era nem de perto o pai que meus filhos gostariam de ter me deu medo e me aliviou. Faria-os feliz e seria um pai presente, não estaria apenas no carro levando-os a escola, estaria além disso, estaria pulsando junto com o peito deles quando eles pensassem em orgulho... Aconteceu no carro, em um dia normal e talvez se não tivesse acontecido, teria a presença dele qui ainda... Meu garoto...
16 Anos de idade e milhares de sonhos na cabeça... Já faz um tempo, e o cartaz de desaparecido continua me olhando da parede, me culpando por tudo o que fiz. Tenho certeza que o tempo não me trará respostas e talvez, eu não as queira... Tenho medo de meus pecados não serem perdoados por Deus.

5 de mai de 2010

Tantas Lembranças neste Céu


Estrada Para o Paraíso
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

As vezes penso em me deitar na grama
Olhar pro céu e contar as estrelas
Penso na mulher que me ama
e no quanto de mim ela têm

A noite tem o cheiro do perfume
Que ela banhava o corpo nu
Tantas lembranças neste céu
Que cobriu envergonhado
Nossos corpos em mel

Já me cai uma lágrima do olho
De lembrar do passado magoo
a memória boa que ela me deixou
Como nosso amor, ninguém amou

E foram tantas armadilhas
que a vida vadia nos pregou
e o tempo apagou todas as luas
descobriu nossas vergonhas
Como nós, ninguém amou
Foi essa verdade que ficou...


Voltando a escrever (pessimamente) depois de um tempo sem. Sim, ficou horrivel

Salvador Dali



2 de mai de 2010

Isto. (Capítulo Primeiro)

Primeira parte do futuro pseudo-livro: Isto (Introdução)



Capítulo Primeiro


Comecei a inexistir a partir do momento que abri os olhos, claro que não tinha idéia disso, mas foi ali que comecei. O primeiro fôlego tomado é apenas pra chorar, nascemos sofrendo, como então negar a existência do sofrimento? Dizem que sofreram pra nos salvar, o nosso sofrimento salva o que/quem? Lembro que a primeira pseudo-existência da minha vida foi lendo um resumo de Os Miseráveis, Senti a mesma vergonha que Fantine sentiu quando vendeu todos os dentes da boca para ter dinheiro e poder assim alimentar sua filha, mais uma vez a memória guardada é a do sofrimento, nesse caso vivido “paralelamente”, o primeiro personagem que senti na pele, minha primeira máscara, uma jovem e bela mãe solteira que pra não deixar a filha morrer de fome, estragou o próprio sorriso. E pra que serve o sorriso que enfeita a boca de tantos homens hoje em dia? Parece-me óbvio que sirva apenas para enganar. A máscara do sorriso é a mais vendida em nosso mundo, sorrimos mostrando todos os dentes, quando na verdade nem teríamos dentes para sorrir se a sinceridade comandasse o mundo. Caem-se dos olhos as lágrimas de amor, nas canções a morte é parceira de estrofe do nome da mulher amada, na vida, a realidade é escondida. O sorriso de um cantor que fale de morte, o martírio de uma musa que ganhou apenas uma poesia... Tudo escondido embaixo do tapete, o mesmo tapete onde o nosso verdadeiro sorriso está perdido. Sufocado pela poeira, pelas cinzas que caem de nossos olhos, quando estes se derramam em dor.
Viver sempre será difícil, para qualquer um, pois no nosso mundo de mentira (não, não se trata de um mundo criado em nossa mente/sonhos), é esse mundo mesmo, que pisamos no chão, que comemos com as mãos, que enterramos sem cessar, nesse mundo é difícil viver, pois viver nele está ligado a mentir. A mentira é uma verdade incontestável, enquanto a verdade, não passa de mentira. A verdade não existe se não no sonho do louco mais louco, a verdade não existe se não nos olhos do mais morto dos suicidas. O que é a verdade para você leitor? Que recebeu um Eu Te Amo rápido pelo telefone, que foi brindado com o sorriso de um estranho, que foi elogiado quando não merecia? O que é a verdade e o quanto a verdade é valorizada por você? Falar a verdade e receber um não, ou mentir pra receber um sim? Assim pisamos em outra pedra que pode cair... O caráter.