O começo deveria ter me revelado a verdade, mas cego dos olhos deixei me levar pelo toque de sua pele branca. Nunca havia tocado pele branca assim, deixei-me levar, sabendo que o que começa de forma errada, termina de forma dolorida. Jurei me esforçar, prometi mundos e fundos e me cobrei, cobrei minha fidelidade, cobrei meu amor, cobrei-me até por coisas que eu nunca deveria ter me cobrado. Lutar por um amor é como pedir a morte aos poucos. Sempre houve o que amou mais, se dedicou mais, sempre houve o que levou por levar, para que a solidão não se alastrasse em seus dias, para o prazer não fazer falta.
Eu estive ali, de braços abertos e futuro no fundo dos olhos, esperando o tempo fazer seu serviço e esperando meu tempo de ser feliz. Eu estava ali para afastar o escuro e mostrar a janela aberta. Ofereci-lhe o samba em pratos de amor. Ofereci-lhe o amor em pratos fundos, seu amor me foi servido em sobras, sua dedicação praticamente morta. Eu estava ali tentando acabar com minha carência e esperando destruir a sua, mas seu amor preferiu dedicar-se a braços sujos e abraços de uma noite, beijos sem amor e palavras mentirosas. Ainda hoje você ri da minha cara, enquanto eu choro por trás dessa máscara de força, ainda hoje dizem haver esperanças, ainda hoje meu peito grita ódio e meus olhos largam dor.
Ainda hoje você mentiu me amar, ainda hoje você estava na cama de outra pessoa.
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4 de dez. de 2010
21 de nov. de 2010
Suspiro Final

Ficar sem escrever por muito tempo acumula questões sem resposta nas costas daquele que escreve. Tentei tantos textos e por fim desisti, abandonei-os no lixo e tranquei ali obras que poderiam ter mais de uma vida. Mas nada do meu mundo literário está destinado a viver, dessa minha época de olhos fechados para escritores presentes guarda-se apenas aqueles livros que se transformaram em filmes. O mundo do cinema ainda hoje valoriza suas obras, a literatura parou no inicio do século passado e não tem vontade de olhar para o atual e esquecer o velho. O antigo é eterno na literatura e o novo já perdeu-se no tempo.
As vezes me pergunto meu motivo para escrever, tento achar uma resposta verdadeira que não inclua apenas eu, mas eu e o futuro do mundo. Mas a verdade que me pinta no papel é uma individual e egoista, escrevo pra mim e não para o mundo. O mundo teve Fernando Pessoa, Carlos Drummond, Luís de Camões, Soror Juana Inés de la Cruz, o mundo não precisa da minha escrita, mas eu preciso desse meu desabafo. Com tinta dei vida a tantos textos e com riscos matei tantas escritas. Minha literatura mata minha literatura. O mundo é assim hoje e no futuro continuarão apenas olhando pra trás.
14 de ago. de 2010
Mundo Sozinho

Ao meu lado há um coração partido, largado ao vento, ao frio. Bate fraco, desiludido... Sua poesia já é de poucos versos. Talvez ahaja uma história de luta e vitória em seu passado e, aqui agora, bate fraco por um duro golpe que o destino lhe pregou. Há também a possibilidade de bombear o veneno de alguma doença sem cura e, aqui agora, olha esse pobre mundo podre enquanto deixa de viver.
É um coração e a quem olha? A quem pertence? Que lembranças o quecem? É um coração largado ao frio do esquecimento, batendo fraco, sem intentos. O que o fez ficar assim? Quanto vale? Amou? Sofreu? Ninguém pode saber, somento o coração que sente até mesmo o que já se foi, e o que foi?
Foi ele (um coração) e só.
Não posso fazer nada para salva-lo, talvez até seja um aviso, talvez seja meu coração, talvez apenas esteja aqui pra provar que mesmo diante do sofrimento mais profundo em uma pessoa, não fazemos nada para ajudar ou melhora-la.
O coração agora é mudo e o que impera é mente e mundo.
1 de jul. de 2010
Sobre Aquilo que me Deu Vida

Mais me vale ter palavras pra contar e conta-las mal, do que guardar em silêncio esse medo inconstante de perder a chance de brilhar letras em futuros livros. Mais me vale a incerteza de um final, do que a ausência de um inicio. Mais me vale o vicio ao ócio, mais me vale a linha torta do que a escrita perdida. E valendo-se tudo assim ao escritor, segue esse seu caminho sem temor, lutando em frente de batalhas que não existem, velando tristezas em enterros no céu. Semear poesia nesse asfalto de impurezas, incertezas de compreensão, é o trabalho mais difícil que se tem em mãos, não mais honrado que aquele que cuida das feridas ilusórias do coração, nem mais imoral que aquele que entrega a carne ao prazer alheio. Escrever é arte, talvez a arte seja a vida, mas é a morte quem dita a eternidade de um autor. Morre uma poesia hoje, morre uma prosa amanhã e de tanto morrerem as boas letras, chegará o dia em que páginas em branco serão arte, nesse dia a árvore da escrita terá sido podada, as lendas de suas grandes raízes que ainda residem abaixo do chão, serão contadas como se os tempos bons fossem aqueles antigos, e nós, seus ramos novos apodreceremos em seu sangue encardido.
30 de jun. de 2010
Futuramente Presente

Chego à conclusão de que sonhar é individual, as pessoas não partilham os mesmos sonhos e talvez nem o mesmo objetivo. É difícil contar a história que me fez tirar essa conclusão... Ela ocorreu há muito tempo e até hoje o peso dela coloca meus ombros abaixo. Sou um escritor de longa estrada, faço isso pra ter o que comer. Tentei por vezes orgulhar meus pais com minha arte, mas eles morreram achando que eu não podia escrever assim tristemente, pois não tinha motivo para ser triste. Nunca tive o apoio para leitura ou para escrita, talvez não acreditassem em meu talento, ou apenas não me apoiaram pelo fato da escrita não ter me dado dinheiro naquela época. Mas eu segui, como um cego que busca um apoio, eu segui deitando a pena ao papel, contando histórias que eu julgava pertinentes, contando estórias que julguei bem pensadas. O papel de um escritor é viajar em sua própria mente morrer em seu ponto final e perpetuar-se em suas reticências. Pensei em destruir cada uma de minhas estrofes, guardar nas más lembranças a visão de mundo que eu tinha... Pensei em limitar minhas ilusões, em ser mais um reflexo do espelho que envolve a sociedade, quis largar o diferente e criativo e me apegar a cópia mal feita de uma história mal contada. Quando o monstro em nossa mente é mais forte que o medo em nosso coração, não há luta, a besta sempre vence... Assim continuei dando vazão aos urros intermináveis da minha cabeça... Continuei me apoiando nas minhas próprias pernas e ombros. Não sonho mais em receber apoio dos que amo, aqueles que nos amam são os que mais destroem nossas paredes... Eu me deito e me sujo em meus escritos até que eles me engulam para suas entrelinhas e eu preciso apenas disso.
11 de jun. de 2010
Mais um Dia.

Hoje, quando o dia amanheceu refletiu perfeito o vermelho de seus cabelos. Seu cheiro impregnava meus sonhos e aposto que mesmo dormindo eu sorria, a completude batia em meu peito e o frio não me fez sentir com medo, seu corpo quente imediatamente me fazia adormecer. A madrugada, nossa velha companheira de estrada, assistiu o amor compartilhado em nosso sono e o abraço amarrado de nossos corpos. O dia amanheceu timido, sorriu aos poucos, sorrindo por nós dois atados, agarrados um ao outro. Há tantas palavras belas pra te dizer, tantos momento para recordar e tantas maneiras de te amar, dificil ordenar as palavras, deita-las em um texto curto que lhe declare todo o amor que sinto. O primeiro ano se aproxima, um ano que mudou nossas vidas, colocou mais vontade em nossas caras e mais sorrisos em nossas bocas. O tempo é quase inexistente quando estou com você, os dias são segundos, semanas minutos e os meses quando percebi já haviam passado. Um ano, uma história que se começa a construir juntos, é o primeiro ano, o primeiro dos muitos, e me sinto conhecido há tantos. É o dia dos enamorados e são tantos os presentes guardados, tento tira-los aos poucos e deixar-se ler em partes, mas a minha pele já têm um livro sobre você.
A Flor em Cada Um de Nós

O espelho, dono de todas as verdades do mundo, criador do infinito e pintor sem igual. Conheceu a face dos mais nobres, refletiu os pobres e teve em seus olhos todo tipo de sentimento. O espelho, dono do mundo, contraparte da mentira, complemento da verdade.
Narciso encontrou o infinito no espelho e deixou viúvas suas ninfas. O que terá ele encontrado na infinitude? Será o infinito o reflexo do que vemos na realidade? A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Nasceu uma flor no lugar de Narciso, filha criada de seu fim, ferida bela na terra. Os dias choram e quanto mais choram, mais belo é Narciso... Narciso eterno, como o infinito, Narciso infinito, como o espelho.
(Hoje somos todos espelhos, cada um reflete-se infinitamente em frente ao seu duplo, aquele preso no mundo dos espelhos, buscamos a infinitude em nosso olhar, Narciso vive ainda hoje.)
26 de mai. de 2010
Onde foi?

A falta de inspíração que tomou minha casa e sentou em meu peito, sufocando assim aquelas palavras de ordem definida que minha cabeça grunhia. Falta de inspiração que me enche o corpo com sangue já corrido, com ódio não gritado e com medo não sofrido... Vejo o mundo com ironia, pensando que ele não precisa ser representado, falar sobre ele é falar sobre tudo o que já foi dito. A chuva sempre molha o mesmo lugar... Busco algo desconhecido sobre o que falar, mas só me pulam na cabeça histórias já contadas. Deveriam vender remédio para pessoas em crise de criação, o mundo quem sabe teria mais artistas e menos coisas escritas em vão.
12 de mai. de 2010
Constatação

Há muito tento escrever um final feliz que faça o leitor abrir um sorriso, que faça ser justo o sofrimento do meio e que seja um espelho da alegria do inicio. Levo tragédias em minha pena, pinga desprezo da minha tinta, a felicidade é guardar a tinta e a pena na gaveta para da-las descanso enquanto tento alcançar minha paz. Penso no porque de querer um final feliz, afinal, o fim propriamente dito não deixa pessoas sorrindo em um funeral, não faz um filho sorrir para o túmulo recém construido para seu pai, não faz mostrar os dentes alegres dentro de um necrotério. Não tento iludir meu leitor, o fim dele não será feliz e nem o meu será, ambos deixaremos lágrimas, mesmo que ressaltem apenas as boas coisas que fizemos. Os finais felizes são para iludir, de criadores-ilusionistas o mundo está cheio e os segredos deles já foram revelados, mas mesmo assim eles não param de surgir. Não sou um ilusionista (talvez nem seja um criador), escrevo sobre o fim e o fim sempre é triste. Sorria no inicio e iluda-se no meio, seja feliz a cada verso e linha, pois o fim nunca vai fazer você sorrir.
31 de mar. de 2010
Ao Fim Definitivo (Decepção, Parte Final)

É tanta decepção que eu mal consigo escrever, essa é a última parte da série, o último texto dedicado a mais uma pessoa que provou não valer a pena, os últimos versos jogados pra quem não merece e nunca vai merecer um outro perdão.
O sorriso me ergueu a cara de tal modo que até minha familia comentou, meus amigos gritaram... "Quando você estiver mal, olhe a sua aliança e fique feliz de novo..."
O quanto vale um anel no seu dedo? Pelo visto não vale sua sinceridade, seu amor... Talvez não valha nada.
Não sei se te desejo mal ou bem... Talvez te deseje o nada, o vazio dos dias solitários, das culpas eternas que nos abrem feridas cada vez que decidimos lembra-las, te desejo aquela velha cadeira de balanço que te leva pra trás e pra frente nas suas memórias e que te lembra o vazio daquele futuro que você mesma destruiu.
E o que ganhei com aquelas poesias dedicadas a você, foi a sua traição, o seu desprezo... Você conseguiu me ensinar que viver de sonhos é coisa de criança, que os adultos precisam viver de realidade e que ela é totalmente diferente daquilo escrito em poesia.
Eu fui seu poeta, te entreguei tudo aquilo que havia de mais puro no meu sangue, eu te chamei de deusa, eu te pedi em casamento e te prometi sinceridade e sinceridade respirei a cada palavra que dizia a você.
Não me arrependo de ter passado por tudo o que passei, me arrependo de ter deixado o amor me fechar os olhos em cada perdão que eu dava a você. As pessoas são imutáveis, as pessoas são a mesma coisa.
Você diz estar cavando a sua própria cova, espero que suas mentiras te enterrem muito bem.
Longa vida, longa culpa...
10 de mar. de 2010
História D'outro Ponto (Decepção: Parte 2)

O telefonema o deixa feliz, encontro uma da tarde, nada como dar uma nova chance ao amor. Ela chega nervosa, se mostra chorosa e o arrependimento lhe bate nos olhos antes mesmo de ter algo pelo qual se arrepender. O amor é agente do caos nesse mundo perverso em que vivemos hoje, o amor, aquele dos velhos contos-de-fada existe hoje apenas para musas idealizadas, pessoas reais não merecem amor. O beijo aconteceu sem mais delongas, tenho tanta saudade daquela certeza que fez meu peito se fortalecer. Aquele sol que se guardou sorridente, aquela saudade tola que invadiu minha mente, de repente... Veio então toda a confusão que se inicia com uma relação que começa não devendo existir.
Soltou-lhe os braços dizendo que não o amava mais, que tudo tinha passado, que viver meia vida não faz ninguém feliz... Jogou-se aos meus braços gritando amor e eternidade, dizendo que me queria por inteiro e sem problemas, que queria alegria que viveria vida inteira sendo minha.
Acreditou... Não fez nada além de acreditar, se arriscar, suportar e viver o sorriso que lhe nascia na boca. Assim seguiram-se os dias, semanas e meses... Assim seguiram-se até ela, aquela que jurou-lhe fidelidade, que buscava em seus braços conforto, que dizia não mais amar o outro, que vivia dele afastada, desligada... Assim foi, até ela lhe dar o veneno da decepção.
Hoje o amor não passa de palavra bonitinha, dita da boca pra fora por qualquer um que vive, o tempo e as pessoas apagaram a importância da palavra amor.
E ainda lhe perguntam qual o motivo que faz suas poesias serem tão negras...
16 de jan. de 2010
MÚSICAlMENTE

E toca uma doce sinfonia de fundo, violinos, pianos, instrumentos de sopro e uma batida que vai crescendo do fundo da canção, parecendo crescer do fundo do peito. A canção me engole pra dentro dela, meu coração tem o ritmo de suas batidas. Sinfonia doce e sem letra, fez de mim seu autor, sua escrita e agora não canta nada por suas estrofes. Se um papel me voasse a mão, escreveria uma história, um refrão contaria o que há de bom, o que não. Vê-se confundir as cores da parede, a música muta tudo, estou tão perdido em mim que ando perdido entre as notas. Vagando pelos becos escuros de cada verso já formado, grudando palavras sem sentido, tentando criar letra, poesia, prosa...história. O objetivo de todos é criar história, seja com som, letra, vitória. Me fogem as palavras, mas o violino me inunda a mente e de repente, não mais que de repente vem de longe o doce da voz dela, musa minha trazendo letra e lágrimas formadas... É ela quem canta não eu, é ela quem é não eu... Não vejo mais o rosto dela, não há mais mão que me tire dessa velha poltrona, não há agulha que me crave outra música no disco. Já não sei há quanto tempo ela partiu, quantos dias se passaram desde seu último adeus. A voz dela me traz o que compus para a mais bela das flores. Minha letra, sua canção... Desabitada minha morada, resta-me o disco, a jornada que faço de encontro aos sons, pois fui privado por você de todos os outros sentidos. Agora apenas o ouvido funciona, apenas sua música toca. Assim... Amor Eterno... Terno, Inferno.
14 de jan. de 2010
Sobre Paz, Amor e Morte

Se a mente obedecesse o que o coração pede, haveriam mais pessoas satisfeitas pelo mundo. Hoje, porém, o que vale mais é a visão, o status, por que não as vantagens? O amor em breve será um acessório, ou quem sabe um perfume, certamente não mais que isso. O amor verdadeiro morreu com o coração de Dante, ninguém enfrentaria o inferno hoje em dia apenas para ver sua amada uma vez mais. O que enfrentariamos por nossos amores hoje em dia? Certamente viriam inúmeros sacrificios sem igual... Um dia existirá a prova real do amor e então cairão todas as máscaras que fazem desse mundo um mundo de paixões e não de amores. Quem revela seu verdadeiro rosto, fica sozinho, admirando o cantar dos pássaros, a chuva, os maços de cigarro. Lembrando de tudo, amaldiçoado com a lembrança do futuro inexistente. O mar sempre leva pra algum lugar, a água sempre apaga, o vento sempre some com tudo. Se fosse assim fácil a crença na subjetividade o fogo queimaria nossos pecados, morreriamos em paz e não mais desolados.
31 de dez. de 2009
Novo?

E um ano que se acaba na vida de todo poeta e de toda poesia. Poesia criada em 2009 é guardada na gaveta do passado, que venham várias outras para brindar o novo ano. Ano de esquecer romances proibidos, de agradecer pessoas novas que surgiram. De lamentar pessoas velhas que erraram de modo imperdoavel. O ano novo é de esquecimento... Olhar para a frente, para o horizonte, usar uma cor que traga sorte, amor, esperança, espiritualidade, usar uma cor que significa aquilo que você busca. O ano novo é de buscas... E que os velhos anéis caiam dos dedos, sejam substituidos por marcas e que essas marcas sejam eternas. Coração eterno... Cardíaco... O ano novo é de mudanças... Que todas sejam para melhor, que a letra mude, o disco troque e o filme continue, há tanto a aprender, mudar e usar, desgastar revigorar e amar. O ano novo é um dia de esperança... E a esperança é sempre a última a ir embora. Prometo não prometer nada nessa virada de ano e nem encher meu ano de objetivos. Me... Prometo.
Traga um copo, cheio do seu velho sonho, despeje-o em minha porta e que nessa troca todos saiam ganhando... Ano novo... Novo ano... Feliz?
7 de out. de 2009
Buscas... (História de Eterno Vermelho: Parte 4)

Eu busco seu corpo todo dia que acordo, seus olhos apesar de fechados, continuam acordados, você dorme como a mais bela das princesas, você respira meus sorrisos, você preenche minhas noites de calor, você dorme tão silenciosa... Meu corpo agarrado no teu, o cheiro dos seus cabelos, seu corpo todo no meu...Você dorme tão silenciosa... Aperto você contra o eu, para ter certeza que você me quer tão perto quanto eu a quero tão perto. Eu sou um poeta que de doenças não vive mais, vive do vermelho vivo e sangrento dos seus cabelos, do branco limpo e belo da sua pele, do gosto doce e quente da sua boca. Vivo de você... A mulher que eu procurei por versos já perdidos, que busquei nas estrofes de poesias alheias, nas páginas de livros espalhados pelo meu quarto. A mulher que completa as poesias, que torna viva cada linha, que preenche cada verso, que pinga de cada uma das estrofes, que transborda de cada palavra amorosa, doce... Você é tão doce... Eu sou tão nada, cantando palavras a lua dourada, falando de amor para as paredes, escrevendo em palavras erradas tudo aquilo que grita dentro da minha cabeça. Só tenho textos e poesias pra te dar, armadas de palavras rasamente fundas, simplesmente suas, palavras minhas, mas suas, só tenho palavras pra lhe cantar, histórias pra contar, sinais para ditar e sonhos para sonhar, só isso posso te dar... Busco os jardins onde florescem as árvores com as suas palavras, eu busco seus olhos, sua boca, suas poesias, seus sorrisos.
Eu busco me encontrar em você e te encontrar em mim, sempre assim, que seja sempre assim.
15 de set. de 2009
Desabafo (História de Eterno Vermelho: Parte 3)

Agora sento aqui e é dificil me virem boas frases para escrever, claro que não escrevi tudo o que sinto por você, mas mesmo assim é dificil. Você mexeu com a cabeça de um jovem tolo sonhador, você abriu portas que ele mantinha fechadas por medo e agora ele enfrenta a perspectiva de um novo futuro, enfrenta isso pois você o faz se sentir seguro... seguro para viver. Na mente só seus olhos, seus toques e sua boca, sua pele. No rosto o sorriso bobo que você tatuou, e mantêm aceso cada dia, mesmo estando longe. No peito o amor que clama, chama que inflama em seu nome. As mãos inquietas pedem sedentas o seu corpo quente para tocar. Eu, eu imploro aos céus sua proximidade, nossa felicidade, sua segurança, nossa esperança, sua vontade, nossa necessidade. Clamo para as idéias voltarem a permear a minha mente e assim veemente lhe escrever mais e mais poesias, histórias, contos, vidas de amor. Quero ser seu escritor, sempre, quero ter quantas idéias for possivel, quero morrer de poesia nos teus braços, viver de romances no seu corpo, sorrir de canções mal cantadas pra você. Eu vejo versos soltos no ar, juntos do seu perfume que impregnou minha carne e minha casa, eu vejo poemas nas suas costas nuas e tantas estrofes no seu sorriso, o espelho reflete seu olhar, me vigia, me deseja, me chama a dançar... Eu vou... Pra onde puder... Eu vou
Juntos somos a vontade, a força, a vida e essencialmente somos a essencia um do outro e de nós mesmos... Somos dois em um...
1 de set. de 2009
Cabeça que Dói!

Ergo do chão as poesias rasgadas em papéis, tiro da gaveta o pó que restou de um verso desfeito, as estrofes jogadas nas paredes são escondidas pela tinta de sangue que cai do teto, destruição, destruição, tudo se embaça e um terrivel sono vem me abraçar. A cabeça gira o tudo e tudo mantêm-se girando no mesmo lugar, a poesia está sentada na cadeira me olha sem atenção, sorri tranquilamente para a janela, sorriso vago, vão, vão as palavras me pregar pra sempre nessa cama,junto da desesperança e do desespero que me alcança. A dor disso me mostra quão doloroso é viver, digam a ela que eu fui pra não voltar, que é melhor assim! Eu vejo tudo distante, me dêem água, minha lingua morreu! Eu preciso do socorro, do apoio que só suas maõs podem me dar, me guie por entre as praças e caminhos escuros da minha cabeça, me cure de todas as dores que sairem dela. Eu só quero um tempo sem contar quanto tempo falta pra mais uma chaga me escorrer dos olhos, eu quero cair de um penhasco sem ter medo por não me agarrar a nada, eu quero ter os olhos abertos pra ver o sol se confundir com a lua, eu quero sua voz nos meus ouvidos, escutar seus arrepios sentir seus sorrisos e não chorar meus martirios.
Só de paz é o que eu preciso.
25 de ago. de 2009
Felicidade (História De Eterno Vermelho: Parte 1)

Os dias contam noites mal dormidas, onde a luz se apaga e os olhos se acendem, acordo há cada hora querendo seu corpo ao meu lado, enchendo a minha cama com seus afagos, seus olhos e sua voz. As horas contam séculos que não passam e repassam na mente momentos que eu só vi, vivi e senti com você. Seu nome cravado na minha cama, suas unhas na minha carne mostram que a cada abrir dos olhos seu corpo cravou-se na minha alma, as luzes ficam fracas sem seu corpo para elas se refletirem, as paredes ficam vazias sem suas mãos para sentirem, e meus olhos ficam fechados sem seu rosto pra louvar. O sorriso se forma em meu rosto quando te vejo caminhar na minha direção, primeiro o abraço e depois o beijo, o carinho e o desejo, o sucesso e o sossego, o amor e o apego, o eterno e o perfeito.
Não sei escrever sobre o que é tudo o que somos, não há palavras para exprimir o nosso mundo feito de apenas um quarto, uma cama e nossas roupas pelo chão. Pode-se dizer amor, pode-se dizer paixão, pode-se dizer luxúria, pode-se dizer razão, mas nada pode ir contra isso que nos une assim, tão.
(Resposta ao Desafio proposto pela Red Zeita proponham aqui o próximo desafio)
9 de ago. de 2009
Ao Mundo Morto

Ao mundo morto em que vivemos escrevo esses tormentos, pra quem sabe um dia ser lembrado por alguém que busca paz de espirito, ou apenas um dia tranquilo. O mundo morreu, as pessoas estão jogadas nas ruas, fingindo correr para seus sonhos, somos zumbis em um mundo morto, mundo morto que chamamos de lar, que dizemos amar. Como temos coragem de amar tão grande atrocidade? Grandes erros queimados nas páginas da história, eu me revolto, eu me preocupo, eu lamento. Lamento a multidão cega, surda, muda que mantêm um sorriso no rosto e uma esperança no fundo dos olhos. Eu lamento enxergar toda essa podridão que cai dos meus pés, toda essa podridão que cai dos céus. Eu lamento o momento em que me deito esperando um bom outro dia. Sinto-me mais um iludido, mais um pseudo-salvador do planeta, mais um entre tantos outros, só mais um, só mais um clone, mais um zumbi, mais um humano, demasiado humano. A TV insiste em me jogar mortes na cara, como se mostrar assassinatos, estupros, acidentes fosse diminuir a carnificina no planeta, ninguém se conscientiza, ninguém se mantêm são, todos de perto são esquizofrenicos, todos são tão iguais. O amor foi banido das músicas, os refrões não gritam mais mudanças, mas pedem mais prazer, apenas prazer... O quê fizeram com os olhos que viam, Os ouvidos que ouviam E as mentes que pensavam? Onde está a juventude que evolui, que destrói para construir? Estamos em um mundo onde ser cego é útil, ser mudo é obrigatório e ser surdo é essencial, estamos em uma era de involução, uma era de clones, como todo grande homem já sonhou...
Foda-se a revolução, tragam o apocalipse!
29 de jul. de 2009
A Vinda (História em Vermelho: Parte 10)
Ela está vindo, cruzando estradas e tormentos, cruzando ventos e sofrimentos para vir me abraçar. Sentir-se segura nos meus braços, agrados sagrados de um amor. Tão fácil sorrir ao ver seus cabelos vermelhos, seu sorriso sincero e seu toque sútil. O coração bate rápido, nervosismo, ansiedade, eu acalmo meu peito com o seu cheiro, eu te abraço e te vejo e te beijo e te desejo. Você está aqui, aqui onde nossos braços se encontram, onde nossos lábios se beijam e nossos corpos se amam, você está aqui e faço aqui a sua casa, o seu lugar. Não há mais uma meia-luz atrapalhando meus olhos te vejo inteira, te devoro com os olhos e com as mãos, sua pele é meu colchão, meu coração... Meu céu... meu céu é estar entre seus anseios, seus seios, seus devaneios. Marca em minha pele a sua unha, a minha pele sua, marca em meus lábios sua mordida, em mim, marque-se em mim. Deixe em mim o seu cheiro, na minha boca o seu gosto, na minha pele o seu toque, no meus ouvidos a sua voz, deixe-se em mim. Assim somos feitos, peças de um quebra-cabeças, somos peças, peças de um mundo incompleto, mas que parece completo quando dividimos nossa cama em um sono tranquilo. Tudo poderia acabar ali, enquanto você dormia nos meus braços, tão linda... Mas se acabasse não teria mais minhas retinas grudadas no seu sorriso, não teria minha mão na sua mão, não teria mais mundo, não teria mais nada. Estranhamente quero que tudo continue, que os carros continuem a andar, que as águas continuem a molhar e que tudo continue a girar, eu faço sala pro tempo, tendo certeza de que desejo ele ao nosso lado, o tempo... O tempo que nos fez felizes, o tempo que nos fez completos, o tempo que nos faz eternos. "E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais. Que o mundo compreendeu E o dia amanheceu...Em paz." Quero logo te ver, sem querer que o tempo passe, querer eternizar cada momento, cada palavra, cada sentimento, cada sussurro, cada sorriso, cada gemido, cada ganido, cada um de nós somos nós.
O tempo...É nosso.
O tempo...É nosso.
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