21 de nov de 2010

tirei Meu Nome do Mundo


Servo
Alexandre Ferreira

Tirei meu nome do mundo
Joguei-o num precipicio profundo.
Não quero que leiam minha biografia,
Que relembrem uma fotografia.

Quero o abismo materno,
De abraço eterno
E escuridão total.
Quero o mal
E de tudo o que nele reside
Quero o Final.

Agora que se foi,
Meu nome já não tenho.
Sou eu e não menos,
O Final e não menos.

Suspiro Final


Ficar sem escrever por muito tempo acumula questões sem resposta nas costas daquele que escreve. Tentei tantos textos e por fim desisti, abandonei-os no lixo e tranquei ali obras que poderiam ter mais de uma vida. Mas nada do meu mundo literário está destinado a viver, dessa minha época de olhos fechados para escritores presentes guarda-se apenas aqueles livros que se transformaram em filmes. O mundo do cinema ainda hoje valoriza suas obras, a literatura parou no inicio do século passado e não tem vontade de olhar para o atual e esquecer o velho. O antigo é eterno na literatura e o novo já perdeu-se no tempo.
As vezes me pergunto meu motivo para escrever, tento achar uma resposta verdadeira que não inclua apenas eu, mas eu e o futuro do mundo. Mas a verdade que me pinta no papel é uma individual e egoista, escrevo pra mim e não para o mundo. O mundo teve Fernando Pessoa, Carlos Drummond, Luís de Camões, Soror Juana Inés de la Cruz, o mundo não precisa da minha escrita, mas eu preciso desse meu desabafo. Com tinta dei vida a tantos textos e com riscos matei tantas escritas. Minha literatura mata minha literatura. O mundo é assim hoje e no futuro continuarão apenas olhando pra trás.