28 de nov de 2009

O Peito que criava vida, Morre


A-Guardo
Alexandre Ferreira

Todos os risos se fecham agora
O ar que formava palavras silencia
O peito que criava vida, morre

Só me resta à quietude da terra
Movendo-se sobre minha caixa
Agora preso, penso, perdôo
Levo votos de saúde
Ligo meus pêsames ao chão

Tento fazer com que seja calmo
Os olhos já não vêem o dia claro

Livre dos medos, anseios, vontades
Indigno do céu, dono da podridão
Vivi
E foi pouco demais pra viver... Apreender

14 de nov de 2009

você Mal sabe quem Sou


Aquilo Mudado Guardado
Alexandre Ferreira


Aceitei pintar novamente o sol
Fazer as nuvens pararem de chorar
Migrar a tristeza para fora daqui

Eu mudei o mundo e meus sonhos
Movi minhas pernas abri meus olhos
Derrubei os muros que me envolviam
E me envolvi em você como em cobertor

Sou aquele em pé na sua porta
Cantando poesia morta em sua janela
Gritando com o pouco que me resta de pulmão
E o coração seguro, bate pra você cada canção

Sou a sombra que se esconde as suas costas
A luz que cega seus olhos
O papel guardado na sua gaveta
A foto escondida na sua carteira
Você mal sabe quem sou
E eu só sei ser pra você

Re-Conhece


A batida da porta é a última que ouvirei feita pelas mãos dela. Até isso é diferente dos outros... Somos jovens, vivemos juntos desde que nosso olhar se cruzou pela primeira vez... Somos jovens e não decidimos pra onde nossas pernas vão andar, esse é um problema que fica decidido por nossos pais, e eles decidiram nos separar. Ir embora nunca mais voltar. Ela jogou um papel por baixo da porta, nele está um desenhos de nós dois formando o simbolo do infinito. Meu coração sempre será dela e o dela sempre será meu. Coisas assim não acabam com a distância, a distância apenas intensifica o sentimento e nos da força pra lutar e estar junto de novo. Já faz mais de 10 anos que eu a vi pela última vez, ainda sinto o cheiro dos cabelos dela e ainda penso em sua pele branca. Ela é, foi e sempre será a mulher que prendeu a minha alma nessa estrada de longa distância. 10 anos e eu nunca mais a vi, a distância mata e destrói sentimentos. A distância inimiga da esperança e comparsa do que vira história. Ela jurou nunca esquecer de mim, se guardar, se entregar só pra mim e viver... Viver o que nascemos pra viver até o fim. Naquele dia eu não parava de chorar, ela disse que não era necessário que nascemos um pro outro.
- Pode passar quanto tempo passar, mas assim que a gente se ver, vamos nos reconhecer e voltar a nos amar...
Lá ela me deu meu primeiro beijo e foi o último beijo que me deu. Nunca esqueci ela e tenho certeza que ela nunca me esqueceu.
- Olá, eu sou teu...
- Olá, eu sou tua...

Sonho nunca realizado, nunca concretizado. Já faz 12 anos e eu afoguei minhas esperanças no fundo da minha caixa de lembranças. Ela agora é só uma lembrança.

O telefone tocou hoje, era uma mulher chorando...
- Eu acreditei que você me reconheceria, esperei em cada um dos dias que nos cruzamos... e acredite, foram vários dias, você não me viu. Eu esperei por você, pra me entregar pra você e você não fez nem me reconhecer... Adeus.
Adeus.
Adeus.
Adeus.
Adeus.

Ao mundo, adeus...

2 de nov de 2009

Memoriza-O Enquanto a Tens


O Coração que Ri
Charles Bukowski

A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.

Poesia Vista




E apenas eu não me abandonarei

Você Só me Fez Mudar


Você Pode ir na Janela
Gram

Se não vai
Não desvie a minha estrela
Não desloque a linha reta

Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim
Você quer me biografar
Mas não quer saber do fim

Mas se vai

Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer

E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei

Vai sem duvidar
Mas se ainda faz sentindo, vem
Até se for bem no final
Será mais lindo

Como a canção que um dia fiz
Pra te brindar

Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei


Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim


1 de nov de 2009

Os Pensamentos Na Frente do Espelho


Cinco longos dias passam na vida de Mauro, os olhos vermelhos já fazem parte de sua rotina desregrada, são os olhos vermelhos de fome, que buscam o vicio desesperadamente. Sua mente está presa na busca pela satisfação e seu corpo clama por mais um pouco de diversão.
- Deixem-me livre! - É o que ele diz para quem quiser ouvir, mas ele é um jovem velho e surdo. Os anos de prazer sugaram sua força e deixaram várias vezes seus ossos espalhados pelo chão. Mauro tolo segue o mesmo caminho, com a certeza de ser um caminho vão, mas também com a certeza de esquecer o mundo. Talvez pense que o mundo é cheio de caminhos vãos, não se pode dizer que ele está errado, afinal, todos têm fugas. Porque fugimos do mundo? Todos desacreditados, mas é a vida... É bonita e é bonita, então quem escondeu essa beleza? Talvez ela esteja enterrada junto com as canções de amigo e os poemas de amor.
Mauro há cinco dias não come, apenas pensa e assim os pensamentos desesperados vão comendo sua já pouca sanidade. Mauro pensa que viver assim é tortura, mas as horas nunca param de passar, as horas nunca param... Só param quando ele tem algo para esperar. Da janela do seu quarto (apelidado por ele de cela), vê as pessoas caminharem, a sociedade os julga livres, mas eles não sorriem, estão presos no mundo, estão presos em suas mentes cheias de problemas. Os livres não sorriem, e os presos são presos por tentar encontrar um modo de sorrir. Mauro pensa e as horas nunca param mesmo paradas elas nunca param, o dia corre de tão arrastado.
São cinco dias de espera e finalmente eles se aproximam, o seguram pelo braço, um condenado...
- Quais são suas últimas palavras? - Diz o carrasco olhando fixamente em seus olhos, um sinal para que ele não diga nada.
- Mesmo assim, mesmo aqui! Sou mais livre que todos vocês. Vivi e busquei sorrir! Só morrem vocês, pois quem, como eu buscou sorrir, vive pra sempre!
O carrasco do espelho não responde.
A lembrança do sorriso que havia em sua boca e o rosto triste dos que não são condenados...
Assim, com essa imagem nos olhos, morreu o primeiro homem por causa da injustiça.

montes de Palavras Desconexas


Aos Velhos Círculos
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

As letras escorrem em montes,
Montes de palavras desconexas,
Desconexas são também as horas,
Horas que se arrastam todos os dias,
Dias que teimam em não terminar,
Terminar o que a vida começou,
Começou com um abraço,
Abraço que abriu portas,
Portas antes trancadas,
Trancadas pelo medo,
Medo que mata,
Mata a vontade de viver,
Viver não serve pra ninguém,
Ninguém mais sabe sobre amor,
Amor destroçado por lágrimas,
Lágrimas que escorrem feito rio,
Rio de mágoas,
Mágoas em rio...