Ela está vindo, cruzando estradas e tormentos, cruzando ventos e sofrimentos para vir me abraçar. Sentir-se segura nos meus braços, agrados sagrados de um amor. Tão fácil sorrir ao ver seus cabelos vermelhos, seu sorriso sincero e seu toque sútil. O coração bate rápido, nervosismo, ansiedade, eu acalmo meu peito com o seu cheiro, eu te abraço e te vejo e te beijo e te desejo. Você está aqui, aqui onde nossos braços se encontram, onde nossos lábios se beijam e nossos corpos se amam, você está aqui e faço aqui a sua casa, o seu lugar. Não há mais uma meia-luz atrapalhando meus olhos te vejo inteira, te devoro com os olhos e com as mãos, sua pele é meu colchão, meu coração... Meu céu... meu céu é estar entre seus anseios, seus seios, seus devaneios. Marca em minha pele a sua unha, a minha pele sua, marca em meus lábios sua mordida, em mim, marque-se em mim. Deixe em mim o seu cheiro, na minha boca o seu gosto, na minha pele o seu toque, no meus ouvidos a sua voz, deixe-se em mim. Assim somos feitos, peças de um quebra-cabeças, somos peças, peças de um mundo incompleto, mas que parece completo quando dividimos nossa cama em um sono tranquilo. Tudo poderia acabar ali, enquanto você dormia nos meus braços, tão linda... Mas se acabasse não teria mais minhas retinas grudadas no seu sorriso, não teria minha mão na sua mão, não teria mais mundo, não teria mais nada. Estranhamente quero que tudo continue, que os carros continuem a andar, que as águas continuem a molhar e que tudo continue a girar, eu faço sala pro tempo, tendo certeza de que desejo ele ao nosso lado, o tempo... O tempo que nos fez felizes, o tempo que nos fez completos, o tempo que nos faz eternos. "E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais. Que o mundo compreendeu E o dia amanheceu...Em paz." Quero logo te ver, sem querer que o tempo passe, querer eternizar cada momento, cada palavra, cada sentimento, cada sussurro, cada sorriso, cada gemido, cada ganido, cada um de nós somos nós.
O tempo...É nosso.
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29 de jul. de 2009
17 de jul. de 2009
O Agora (História em Vermelho: Parte 9)

Então ela me liga, me acorda, me faz sorrir assim que o dia começa. Eu a vejo sumir por ai, secando as lágrimas nos olhos, sentindo-se sozinha em todo lugar, eu me vejo nela e eu tenho tanta vontade de acabar com o que ela é. A rapidez do que sentimos é assustadoramente doce, incrivelmente sincera. Ela me sorri e eu sorrio de volta, dois antigos pierrôs agora tão sorridentes humanos. Eu a estou vendo, ela sai, eu tento me distrair e não consigo, ela liga e diz que está tudo feito. Um sorriso se forma em meu rosto e eu estou tão feliz! Agora finalmente Minha, Minha doce vermelha, Minha perfeita menina-mulher, Minha, como soa bem essa palavra, soa aqui, soa agora, não distante como antes. Ela sorri e eu rezo pra ser o sorriso mais sincero da vida dela, pois o sorriso tatuado em meu rosto o é. Sim, é Amor, essa sensação que eu sinto de ternura a invadir meu coração, essa imensa paz que eu sinto me envolver, é o abraço dela que me abraça sincera e tão calorosa mesmo estando ela distante. O vermelho dela coloriu o que era preto e branco no meu céu, o céu é vermelho, como os cabelos dela, o céu é multi-colorido, o céu é o lugar pra onde a levarei. quero, Sim, ser pra você tudo o que alguém pode ser pra outrém, quero nos seus braços dormir, nos seus ouvidos cantar e nos seus olhos sorrir, no seu coração bater e no seu corpo tocar, quero ser, quero que você, Sim, seja tudo isso pra mim e posso dizer, Sim, você está em tudo. "E aqui dentro de mim você demora; Já tornou-se parte mesmo do meu ser. E agora em qualquer parte, a qualquer hora, quando eu fecho os olhos vejo só você." Me faltam as palavras, me fogem as idéias, ela é tão presente que embaraça a mente e desdefine as palavras, todas tão poucas pra expressar o que é tudo isso. Mas O Agora é Eu E Você, Juntos pro futuro viver, agora somos Nós dois contra o mundo, contra qualquer onda que vier, contra qualquer vento que soprar. Você É Minha e Somente Minha. E Sou Seu, Somente Seu, Sim...
"E cada um de Nós é um a sós e uma só pessoa somos Nós..."
13 de jul. de 2009
A Espera (História em Vermelho: Parte 8)

Nada novo no Front, está tudo parado, nenhuma novidade, nenhuma superação, nenhuma decisão, nenhum avanço. Vejo os dias passarem, duas semanas pra descansar os ossos, os olhos, a cabeça. "Isso vai trazer todas as respostas que precisa" Erro meu, trouxeram apenas ainda mais dúvidas, ainda mais complicações e confusões. Viver como um azarado cansa mas "ria e o mundo rirá com você, chore e chorará sozinho". Venho rindo há algum tempo, guardando no bolso do meu paletó os gritos que eu queria dar e os nós da minha garganta, sinto tudo de verdade, mostro tudo de verdade, mas me sinto um ator inútil, me sinto preso naquela mesma cama de hospital. Quero provar o que sou, o que posso, o que tenho, mas não sei por onde começar, então se erguem as verdades na música e cantam sobre a espera, a espera que eu tenho de esperar passar. "Pedro pedreiro penseiro esperando o trem/Manhã parece, carece de esperar também/Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém/Pedro pedreiro fica assim pensando/Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás". Alexandre, um velho jovem que busca a paz de espirito, um velho jovem que morre jovialmente velho. Alexandre, aquele caido no poço de sangue, bebericando o amor em copos de pinga. Embriagando-se com tanta beleza. As Vezes eu vejo o mundo dar voltas, e voltar pro mesmo lugar, tudo é um circulo gigante, a linha de chegada é a linha de partida. Ela quer ser forte e não o é, ela quer tudo mas não sabe chegar. Aonde nós vamos chegar? Sinto cada vez mais o coração dela perto do meu, mas e o seu corpo onde se escondeu? Troquei os lençóis da minha cama mas a minha sujeira ainda está lá marcada, o sal dos meus lamentos de espera. Espera que não cerra, espera... Essa espera que eu pretendo matar, enquanto ela espera tudo se ajeitar. Uma canção sobre as flores que crescem e os sinos que tocam, uma canção sobre a nuvens que correm e o rio que secou. Uma canção, uma canção que está para ser cantada.
Um texto confuso de quem tem sido acompanhado pela confusão. Um texto de espera por quem espera apenas uma... uma decisão.
7 de jul. de 2009
O Sonho (História em Vermelho: Parte 7)


Tudo aconteceu tão rápido, a conversa de desconhecidos em um computador, as semelhanças encontradas rapidamente, as conversas seguintes, a primeira troca de olhar, o primeiro abraço timido de amigos, o primeiro abraço apertado, o primeiro beijo... O primeiro beijo que abriu portas e fechou tantas outras, o primeiro beijo que confundiu, que selou, o primeiro beijo que construiu e destruiu. Os sorrisos, o clima e o silêncio, tantas horas em tão pouco tempo, tanto tempo em tão poucas horas, ali nos encontramos e lá começamos a construir a nossa vontade de nunca mais nos largarmos...Lá escondidos das outras pessoas, Lá onde nasceu o nosso mundo, ali onde só nós importamos, então nos despedimos, cada qual foi pra seu lugar com tanta confusão na cabeça, mas com tantos sorrisos no rosto. Tudo continuou assim por um tempo, tudo continuou feliz e tranquilo, outro encontro... a ansiedade... o medo... um novo encontro... agora ainda mais intimo, ainda mais profundo... um encontro onde a luxúria e o carinho deram-se as mãos, um encontro onde nossos corpos foram um só, onde bateram juntos os nossos corações, onde nossas vozes se confundiam em gemidos e sorrisos. Ali nos marcamos mais fundo na carne um do outro. Agora você está confusa, e eu estou com medo, eu sorrio pra você, eu incito você a seguir, mas eu te quero aqui, sonhando o que eu sonho, querendo o que eu quero. Você realmente quer?
O texto chama-se Sonho, e apenas falei sobre a realidade... Agora eu paro, eu respiro, eu olho o céu e falo de sonhos... Sonho em vê-la todos os dias andando nua pela minha casa, em ver um sorriso quando ela vestida de mim andar por ai, em segurar a mão dela toda vez que andarmos pelo mundo. Sonho em criar uma estrada, onde nossas estradas andem juntas, sonho em tirar dela toda a tristeza dos seus olhos. Sonho em fazê-la sorrir a cada segundo, eu sonho muito... Sonho em cantar com ela as minhas músicas favoritas, em marcar nela cada poesia pra ela escrita, sonho em sonhar todos os dias, sonho alcançar todos os sonhos que sonhar. Quero realizar cada desejo e fantasia, quero contar nossa história em prosa, em poesia, em romance em coreografias... Quero ser pra ela a escuridão que mostra as estrelas, quero ser pra ela a luz que apaga os medos. Quero sorrir a cada sorriso dela, abrir os olhos a cada vez que ela estiver acordada, quero me molhar cada vez que ela estiver na chuva, quero me lavar toda vez que ela se sentir suja, quero dela ser o brinquedo, o travesseiro, o companheiro, o amor...
Sonhar é o que nos faz andar, nos faz lutar e amar. Eu sonho, eu me orgulho de sonhar...
2 de jul. de 2009
A Incerteza (História em Vermelho: Parte 6)

As palavras estão fugindo pelas janelas, sendo queimadas por suas musas e a tinta vai acabando por riscar o que já foi escrito. Mais uma folha arrancada do que poderia vir a ser um bom livro, menos idéias e mais aborrecimentos, a frustração é companheira assidua de vários filmes. O telefone toca, é ela, fala rápido, me tira do fundo do poço e fala rápido, diz me amar e me joga lá embaixo de novo... Lembro do vermelho dos cabelos dela, contrastado com o branco de sua pele, ela reflete toda, é um anjo, um belo e destruidor anjo. Relembro o cheiro dela antes de dormir, o sorriso e o riso, relembro o toque das mãos dela, dos lábios, do corpo. Talvez, só me reste lembrar, usar disso enquanto ainda está na minha cabeça, nos meus dedos, enquanto ainda está em mim. Tenho um futuro de incertezas pela frente, não sei quantos personagens mais irão surgir nessa história, não sei quantos amantes mais vão se formar, não sei de nada, não sei quanto tempo irá passar até tudo ser decidido. E não saber me enche de um sentimento que não sei definir. Lanço mais uma vez as perguntas, e as respostas só trazem mais perguntas. Quero acabar com tudo isso, fugir e começar do zero novamente, seria o melhor a fazer, mas algo no ar me diz pra ficar e tentar, sempre tentar. As forças não duram pra sempre e até o mais forte dos sentimentos morre com o tempo e com o que temos como certeza do que acontece no momento.
O mundo é tão incerto quanto previsões de uma cigana, o amor é tão incerto quanto o coração de um transplantado, a vida é apenas um dado, sempre sendo rolado.
28 de jun. de 2009
A Razão (História em Vermelho: Parte 5)

A razão bate a porta e a deixo entrar, me alivia o peso do peito, volto a respirar, pensar, enxergar. Agora vejo que tudo o que escrito foi, foi escrito em vão, o destino é sorrateiro e preciso, não há nele lugar pra paixão. Azar ou sorte? Destino ou coincidência? Duradouro ou passageiro? Tantas questões que deveriam ser respondidas e não o são. Tantos problemas a serem pensados, "mas tente não pensar isso, lembre dos momentos bons", quisera eu mostrar a todos que tudo é fácil, quisera eu ter pulso firme pra provar que mereço o que quero. Juventude esquecida e relembrada pelas poesias escritas, manias choradas, pilhas acabadas...E o céu é sempre o mesmo céu escuro e cheio de nuvens, cheio de absurdos, cheio de cicatrizes e abusos. O sol ilumina o outro lado da história, ilumina a página passada no livro de mentiras, no diário incerto de um poeta sem futuro, o sol... o sol... O sol que se escondeu dos nossos dias, que iluminou o céu de cada despedida, o sol que já sabia. Os astros sempre sabem... Dos olhos dela, lágrimas que maltratam meu coração, em sua mente, indecisa decisão e ela ainda me diz que responderia a ele mil vezes não... Disse uma vez alguém "Não abra mão dos seus sonhos, eles são o seu maior patrimônio. O homem começa a envelhecer quando as lamentações começam a tomar o lugar dos sonhos." Até hoje, me pergunto o que me fez, o que nos fez, o que nos guiou... Até hoje, sei que não foi algo em vão, mas em um mundo de sonhos, sonhos vêm e sonhos vão... Fica cada poesia, cada versão, cada pedaço de amores passados que nunca passarão...
"Se lhe ensinassem que os elfos causam a chuva, toda vez que chovesse, você veria a prova dos elfos." E se lhe ensinam que o erro é ter esperança, você é fraco e não aprende a lição.
26 de jun. de 2009
O Êxtase (História em Vermelho: Parte 4)

A luz ilumina teu corpo, meia-luz, vejo o sútil reflexo do vermelho de seus cabelos, eu estou em você e você está em mim, o toque sútil de nossas peles desacostuma os costumes do nosso corpo, o toque firme das suas mãos retira de mim as cicatrizes de amor velho. Seu sorriso, seu olhar, seus gemidos, sua voz cheia de êxtase chama meu nome pela metade, metade que me completa que me faz só seu, seu... Seus olhos semi-cerrados, seus medos dissipados, o desejo queimando na sua alma, o amor, o amor que me faz deslizar e me perder em ti a cada minuto, segundo, hora. Seu corpo reflete a luz que nos ilumina, branco como a neve, lindo como o mar, o seu cheiro, o seu gosto, o nosso cheiro, o nosso gosto, nossos corpos, nós... momento nosso... Ali fomos, aqui somos o que é errado de tão certo. Somos o que devemos ser, fomos o que merecemos ser, merecemos o futuro, as páginas de um livro obscuro, os suspiros e sorrisos de amantes noturnos, merecemos tudo, pois ali fomos o tudo, e a nossa volta era o nada. Vestida de mim seus olhos abrem os meus olhos, seu sorriso reflete no meu sorriso e nossas bocas marcam sempre mais um beijo eterno. Aqui estamos tão discretos e tão concretos, tão juntos e tão separados, aqui estamos e o mundo poderia se dissolver a nossa volta. Quero ficar no seu corpo, feito tatuagem que é pra te dar coragem pra seguir viagem comigo por esse caminho... Nosso caminho.
"O que já era perfeito pra mim... Agora fica flutuando sem eu ter palavras pra definir... O que existe além da perfeição?" "Sim... Nós... Que entramos de cabeça num sonho... No melhor deles... E agora não sabemos (não queremos) sair"
21 de jun. de 2009
A Emoção (História em Vermelho: Parte 3)

E assim meu coração apaga o que já foi pintado nessa parede, assim meus olhos esquecem o que já foi pregado a cruz. Eu sorrio com tudo o que é dito, sou um tolo com um coração fraco, eu sorrio com o sorriso que ela solta no ar e eu carrego canções alheias para lhe cantar. Crio poemas para crer no que não cria, canto canções que não mais queria, tudo para ela... Só pra ela... A felicidade saiu da gaveta, tenho algumas teias para tirar dela e como não estou acostumado a ela, ela me traz alergia. E essa alergia me lembra que a alegria pode não ser duradoura, mas como diabos vive um poeta que vive da razão? Dou voz ao meu coração e deixo que a chuva me banhe, me lave de tudo o que era ruim e que eu guardava na minha roupa. Eu só preciso de um pouco mais de tempo, para entender que o meu intento é o que estava escrito nas linhas tortas do meu livro, e se não o for, mais uma vez caio na escuridão reservada do meu quarto, lá escrevo o sangue que cai dos meus olhos. Eu só quero cultivar a pouca felicidade que se acendeu fracamente no meu peito, olhar as estrelas com um novo fôlego, tocar os planetas com novo ardor e gritar pra lua que me ilumina. Ela virá, mais cedo ou mais tarde virá e perceberemos que não é possivel fugir do que em nós há. Não é possivel nos negar, nos ignorar, nos deixar, as estrelas são o destino de cada um de nós e o nosso céu é tão iluminado...
Toco cego a felicidade em meu peito, sinto-a pulsar em minha mão, é tão simples, intensa e digna de aproveitar. Que valha a pena cada segundo e que dure enquanto o tempo durar.
20 de jun. de 2009
Uma Dúvida (História em Vermelho: Parte 2)

Eu estava aqui sentado e ela estava lá sentada, os sorrisos eram fixados a todo minuto, nossos rostos tristes sorriam e desejavam, mais um pouco de tempo... As horas correm quando tudo está bem, procuro me lembrar que nem tudo está bem, assim quem sabe eu consiga mais alguns minutos ao lado dela. Eu reviro toda a minha cabeça em busca de respostas, eu ergo meus ombros pra mostrar que aguento um pouco mais de peso, eu sorrio em frente a um espelho e lembro que ali no meu peito há um pouco do que há nela. Por que ela não vê o céu como eu vejo? Por que ela não toca as estrelas como eu costumo tocar? Eu preciso de proteção pra tempestade que está por vir, eu preciso secar todas as lágrimas que caem dos olhos dela, ela merece ser feita feliz, então o que mereço eu se tudo é assim? Eu tento lembrar que a hora mais escura da noite é aquela um pouco antes do nascer do sol, mas com dois amantes da noite, o que há de acontecer quando tudo ficar claro? Eu alimento meu coração viajando pra um futuro onde tudo está certo, eu alimento a razão e minhas pernas não suportam o esforço. E aqui estou jogando tudo em palavras, buscando eternizar ela nessas tortuosas estradas, levando a dúvida em meu bolso. Será ela meu anjo, ou mais um prego em minha carne? Eu só quero sorrir enquanto me restam dentes e é isso que ela me traz, eu vou sorrir nos braços dela e a fazer sorrir comigo, eu vou segurar as mãos dela e só largar quando ela quiser. Eu vou querer, até quando o que me mantêm vivo, parar de manter.
Ali estou eu parado entre ela e a terra, e lá está ele parado entre ela e o céu...
19 de jun. de 2009
Um Momento (História em Vermelho: Parte 1)

E então surgiu a minha frente, os cabelos vermelhos esvoaçando, o olhar de tristeza carente, o desespero na mente crescente e o os braços cheios de medos. Sorri e a abracei, senti o gelo do seu corpo e o pulo do seu peito, eu a abracei e naquele abraço os olhos cerrados desmancharam o ar e o que estava construido a nossa volta. Eu voei como há muito tempo não ousava voar, ela ouviu meu coração cantar, ela ouviu a canção de esperança e medo que ele bombeava pro ar e então ela sorriu, sorriu de um modo simples e intenso, o lamento dos olhos não mais cresceu. Os lábios se tocaram, intenso e singelo, carinhoso e cheio de desejo, tão errado e tão certo. Correram-se assim os minutos e voaram-se as horas o sol intensificava a cor dos cabelos dela, eu sorria, ria, cria, eu queria, e ela provou querer também, mas os dias são curtos demais e é tudo escrito em linhas tortas. Não vejo uma luz no horizonte, que traga as respostas que eu quero, não vejo uma estrela cair pra que eu possa pedir resposta, eu não vejo, não vejo mais nada. Fui cegado pelo sorriso e pelo toque das mãos dela. Esqueci a segurança, a loucura, o medo, agora tudo isso volta a tona e eu temo, eu me culpo, eu não sei o que fazer o que dizer.
Ele me olhou confusa, eu sorri tentando mostrar/mentir que estava tudo bem.
Nunca haverá de se ter paz nessa vida, pobre escritor.
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