7 de jun. de 2009

Se de Ti Fujo É que Te Adoro E Muito!


Amor e Medo
Casimiro de Abreu

Quando eu te vejo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, ó bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
— "Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!"

Como te enganas! meu amor, é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores
A luz da aurora me enternece os seios,
E ao vento fresco do cair cias tardes,
Eu me estremece de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea — ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!

Ai! se abrasado crepitasse o cedro,
Cedendo ao raio que a tormenta envia:
Diz: — que seria da plantinha humilde,
Que à sombra dela tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho
E a pobre nunca reviver pudera.
Chovesse embora paternal orvalho!

Ai! se te visse no calor da sesta,
A mão tremente no calor das tuas,
Amarrotado o teu vestido branco,
Soltos cabelos nas espáduas nuas! ...

Ai! se eu te visse, Madalena pura,
Sobre o veludo reclinada a meio,
Olhos cerrados na volúpia doce,
Os braços frouxos — palpitante o seio!...

Ai! se eu te visse em languidez sublime,
Na face as rosas virginais do pejo,
Trêmula a fala, a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

Diz: — que seria da pureza de anjo,
Das vestes alvas, do candor das asas?
Tu te queimaras, a pisar descalça,
Criança louca — sobre um chão de brasas!

No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem,
Vil, machucara com meu dedo impuro
As pobres flores da grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço,
Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... desperta no febril delírio,
— Olhos pisados — como um vão lamento,
Tu perguntaras: que é da minha coroa?...
Eu te diria: desfolhou-a o vento!...

Oh! não me chames coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito!
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...

A Festa Acabou


E agora, Alexandre? A festa acabou as cortinas cairam e tudo veio a tona. E agora, Alexandre? Sorrir não mais, cantar não mais, apenas poesia, só poesia. E agora, Alexandre? Suas possibilidades estão todas no chão e todos os seus sonhos tem de ser enterrados o quanto antes. E agora, Alexandre? O que te resta é aconselhar quem quer conselho, solucionar problemas alheios e manter a máscara que pende no seu rosto. E agora, Alexandre? Julga quem te quis, assim como julgou o amor que sentia por quem quer. E agora, Alexandre? Os filmes coloridos já são uma chatice, o olhar de amor já é cego e a contradição é sua morada. E agora, Alexandre? Perguntas devem ser respondidas e você não esperava ser tão cedo. E agora, Alexandre? Suas horas passam, os minutos correm e os segundos já nem existem, falta pouco pra vida. E agora, Alexandre? Continua perdendo seu tempo em frente ao computador, em vez de levantar e ir viver.

E agora, Alexandre? Já é tarde demais...

6 de jun. de 2009

Tiro Rimas, Poesia Aqui Jaz


Sem Titulo Prefiro (ou Manuscrito Nada, apenas Digito)
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

Respiro o ar dessas nuvens
Adquiro o mar desse céu
Transpiro sonhos em rio
Atiro montanhas ao léu

Giro meu corpo na neve
Retiro meus pés do chão
Deliro absorto na terra
Prefiro Bocage a Platão

Miro seus olhos no paraiso
Firo meu lombo no inferno
Reviro sozinho essa areia
Vampiro antigo não moderno

Crio milagres pra não crer
Inquiro questões sem saber
Readquiro manias sem ver
Conspiro sem saber descrever

Aspiro um dia fazer poemas
Admiro quem já o faz
Suspiro por velhas paixões
Tiro rimas, poesia aqui jaz

Transfiro tudo pro caderno
Sugiro solidão a amantes
Profiro sempre as verdades
Pretiro o verso de antes

Ingiro pingos de chuva
Desfiro meu último fico
Estiro meu corpo no seu
quebro tudo e Expiro.

4 de jun. de 2009

Dos Tristes Recados Que Criei Pra Você


Sem Estar Lá, Lá Embaixo Estou
Alexandre Ferreira (AlxSeth)

Me leve para baixo
Lá onde repousa ao seu lado
O velho e triste diabo
Que diz te amar

Mas este sou eu
O jovem não morto
Que lhe ama o pescoço
E o resto do corpo

Me leve para baixo
Onde me encontrarei
Magoado e atado
Ao problema que amei

Um velho diabo
Que tem um jovem legado
De tristes recados
Que criei pra você.

Fez-se de Triste o Que se Fez Amante


Soneto da Separação
Vinicius de Morais

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Citação do Dia

"A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência."

Mahatma Gandhi

Me Sinto Prometeu


Agora nem mesmo durante o sono escapo do fantasma que você cravou em minha mente, o mundo girando e eu insistindo em voltar pro mesmo lugar. Evolui essa semana e desevolui na seguinte, limpei minhas chagas com sabedoria e as marquei novamente com o coração. Qual a escolha certa a fazer? Sempre que minhas feridas se curam, você vêm logo abri-las novamente, todo ano, todo mês, toda hora. Seus cabelos ainda estão guardados no meu colchão, suas unhas ainda cruzam as minhas costas e os seus lábios ainda marcam o meu corpo. Eu vejo o lugar onde você se colocou, o eterno abismo que escolheu, eu tenho dó, apenas dó é o que eu consigo sentir por você, o resto está sendo arrastado para o fundo do poço onde você pretende ficar. Eu posso mergulhar fundo nos livros e esquecer seu sorriso, seus gritos, seu medo e lá me encontrar com o papel perfeito que queria que você interpretasse em nosso filme. Disseram uma vez que não se pode mudar as pessoas, eu discordei, mas você provou que eu estava errado, que eu era um jovem sonhador, um "moleque quadrado", um jovem velho. Eu sinto você me espiando pelas esquinas, me seguindo pelas poesias, me perseguindo pelos céus, me matando no escuro. Eu sinto você em tudo, mas não me sinto bem assim. Só queria poder saber, quanto de amor eu desperdicei, pegá-lo de volta e o entregar a quem mereça, posso eu fazer isso?

Hoje eu só quero viver, um pouco mais para saber o que fiz eu pra merecer, os grilhões que me atam a você.