14 de jan. de 2010

Sobre Paz, Amor e Morte


Se a mente obedecesse o que o coração pede, haveriam mais pessoas satisfeitas pelo mundo. Hoje, porém, o que vale mais é a visão, o status, por que não as vantagens? O amor em breve será um acessório, ou quem sabe um perfume, certamente não mais que isso. O amor verdadeiro morreu com o coração de Dante, ninguém enfrentaria o inferno hoje em dia apenas para ver sua amada uma vez mais. O que enfrentariamos por nossos amores hoje em dia? Certamente viriam inúmeros sacrificios sem igual... Um dia existirá a prova real do amor e então cairão todas as máscaras que fazem desse mundo um mundo de paixões e não de amores. Quem revela seu verdadeiro rosto, fica sozinho, admirando o cantar dos pássaros, a chuva, os maços de cigarro. Lembrando de tudo, amaldiçoado com a lembrança do futuro inexistente. O mar sempre leva pra algum lugar, a água sempre apaga, o vento sempre some com tudo. Se fosse assim fácil a crença na subjetividade o fogo queimaria nossos pecados, morreriamos em paz e não mais desolados.

12 de jan. de 2010

Memorial da Vergonha


Eram belos dias aqueles vividos com a brisa do mar e com o céu azul. Mulheres e mais mulheres, festas e amigos que fazem e trazem mais amigos. Eram belas tardes quando o sol se punha e o beijo era certo na garota que eu queria. Eram noites instigantes, abraçado ao corpo nu das mais belas meninas, assim formei minha juventude, vivendo de sons e toques em corpos que mal conhecia. Assim formei o que chamo de boas lembranças, boas fotos, bons tempos. Tempos estes que não vão mais voltar, nunca dei atenção o suficiente a quem merecia, amores jogados no lixo ou pendurados no armário cheios de poeira. Nunca amei, nunca me apaixonei, só queria ter e cada vez que tinha, queria ter mais, eu só fui um devorador de sentimentos, um causador de tormentos e de dores nas pessoas com as quais não queria me preocupar. Tentei aprender o sentido do verbo amar, mas ele nunca mais bateu a minha porta, como as mulheres que tive, ele se levantou enquanto eu dormia, e deixou um beijo de adeus no vidro do banheiro. Eu apaguei cada um daqueles lábios do espelho, apagando junto em minha mente, o gosto e o cheiro daquelas que o beijavam, tantos lábios houveram, tantas cores diferentes, meu espelho deixou de ser límpido e se enegreceu com a decepção de nunca receber o mesmo beijo duas vezes. São amores superficiais estes da juventude, morreríamos como Romeu, morreríamos como o mais galante dos homens, por uma noite apenas. Somos canibais! Tão canibais que um sinônimo de sexo é comer, comemos uns aos outros sem cessar, comemos com as mãos, com a boca, com o olhar, comemos uns aos outros sem pensar. E assim cada dia que passa sem termos outro em nossos braços, lábios, pensamos em morrer, entramos em crise. Valorizamos tanto o canibalismo em nossa sociedade que esquecemos que é sem amor que se morre e não sem sexo. Entendo isso atualmente, jovem não entendia, entendo isso hoje em dia, jovem e amar, eu não precisava, não queria. Disso é feito a minha memória, do sol se guardando tristemente dentro do mar e dando lugar a lua que iluminou os corpos que passaram por minhas mãos, tanta canção, tantas noites em vão, tantas histórias e nomes sem razão, tanto sexo sem paixão.

Aos olhos do que sou hoje, era apenas alguém que não pensava com a cabeça que tem cérebro, um jovem da massa, que pensa em agradar os amigos e não a si mesmo. Atualmente, eu era uma vergonha pra mim mesmo.

debaixo da água Vai Morrendo


Canção
Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

por que vale a Pena


For What's Worth
Placebo (Letra Original em Inglês)

É o final do século
Eu digo meu adeus
Por que vale a pena
Eu sempre miro para pedir um favor
Mas eu quase morro

Por que vale a pena
Venha deitar comigo
Porque eu estou pegando fogo
Por que vale a pena
Eu rasgo o sol em três
Para acender os seus olhos

Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena

Sai da minha família
Todo mundo chorou
Por que vale a pena
Eu tenho uma doença lenta
Que me engole seco
Por que vale a pena
Venha andar comigo
Para a crescente tendência
Por que vale a pena
Encher o espaço
O seu deus se formou hoje

Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena
Por que vale a pena

Ninguém se preocupa quando você está na rua
Pegando as peças para conhecer o final
Ninguém se preocupa quando você está na sarjeta
Não tenho amigos, não tenho nenhum amor

Ninguém se preocupa quando você está na rua
Pegando as peças para conhecer o final
Ninguém se preocupa quando você está na sarjeta
Não tenho amigos, não tenho nenhum amor

Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor
Por que vale a pena
Não ter nenhum amor

Não tenho amigos, não tenho nenhum amor

O Poeta Deixa de ver A Salvação


Descarga
Alexandre Ferreira

De nada vale lutar por amor
O amor é tão sorrateiro quanto o ódio.
Opostos mais que juntos,
Assim são amor e ódio.

De nada vale dedicar-se
Enebriar-se, se entregar
De nada vale o amor ou a paixão
Tudo acaba em nada.

Quando o sol se põe
mudam-se as cores do céu
O poeta deixa de ver a salvação
E se esconde no mais escuro dos cantos

A única certeza que ele sempre leva
É aquela marcada no peito
Noite e dia, chuva e sol
Ele é o único que não se abandonará
Com... Certeza...

31 de dez. de 2009

Novo?


E um ano que se acaba na vida de todo poeta e de toda poesia. Poesia criada em 2009 é guardada na gaveta do passado, que venham várias outras para brindar o novo ano. Ano de esquecer romances proibidos, de agradecer pessoas novas que surgiram. De lamentar pessoas velhas que erraram de modo imperdoavel. O ano novo é de esquecimento... Olhar para a frente, para o horizonte, usar uma cor que traga sorte, amor, esperança, espiritualidade, usar uma cor que significa aquilo que você busca. O ano novo é de buscas... E que os velhos anéis caiam dos dedos, sejam substituidos por marcas e que essas marcas sejam eternas. Coração eterno... Cardíaco... O ano novo é de mudanças... Que todas sejam para melhor, que a letra mude, o disco troque e o filme continue, há tanto a aprender, mudar e usar, desgastar revigorar e amar. O ano novo é um dia de esperança... E a esperança é sempre a última a ir embora. Prometo não prometer nada nessa virada de ano e nem encher meu ano de objetivos. Me... Prometo.

Traga um copo, cheio do seu velho sonho, despeje-o em minha porta e que nessa troca todos saiam ganhando... Ano novo... Novo ano... Feliz?

11 de dez. de 2009

Só.

.
Alexandre Ferreira

Eu vejo partes de mim, espalhadas pelo chão.
partes puras, cruas, escuras, semi-nuas
envoltas pela poesia que escorre do seu corpo...